segunda-feira, Abril 23, 2018
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Piquete dos Bancários faz 7 anos no Acampamento Farroupilha de Porto Alegre

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Crédito: Caco Argemi – SindBancários
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No Rio Grande do Sul, piquete não é somente um grupo de trabalhadores que busca convencer outros para aderir à greve, mas é também um espaço de convívio e preservação da cultura gaúcha organizado por entidades ou pessoas. Na Semana Farroupilha, celebrada anualmente antes do feriado estadual de 20 de setembro, os piquetes e Centros e Departamentos de Tradições Gaúchas (CTGs e DTGs) montam acampamentos e promovem eventos para lembrar a Guerra dos Farrapos (1835-45), manter vivos os ideais de liberdade, igualdade e humanidade da bandeira do Rio Grande e confraternizar.

Espaço cultural

Desde 2002, o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) e a Federação dos Bancários do RS estão engajados neste movimento de cultivo das melhores tradições do Estado, montando o galpão do Piquete dos Bancários, no Acampamento Farroupilha, no Parque da Harmonia, na capital gaúcha. Os bancários também contam com o apoio da Apcef-RS e do Esporte Clube Banespa de Porto Alegre.

Muitos frequentadores usam a chamada indumentária gaúcha. Os peões (homens) colocam bota, bombacha (calça larga), lenço no pescoço, guaiaca (cinturão com lugar para guardar dinheiro), faca e chapéu; as mulheres (prendas), vestidos largos e compridos.

O patrão do Piquete é o funcionário do Bradesco e diretor de Esportes, Cultura e Lazer do SindBancários, Edson Ramos da Rocha. Ele fica o dia inteiro e noite adentro, recebendo os bancários que trazem seus colegas, familiares e amigos para tomar chimarrão, fazer churrasco, arroz carreteiro ou outra comida campeira, ouvir canções gauchescas, contar "causos" ou jogar truco.

Há também apresentações culturais com música e danças, bem como o disputado torneio de truco. O cartunista do site do SindBancários e do jornal O Bancário, Augusto Bier, promove uma exposição de charges que retratam com um olhar bem humorado o cotidiano do gaúcho tradicional, inserido tanto em situações comuns como inusitadas.

Porteira aberta

A porteira foi aberta no dia 1° de setembro, quando o galpão especialmente montado já estava pronto. "Desejo aos amigos e colegas uma boa estada em nosso piquete. Somos parceiros nesta atividade e estaremos unidos para o enfrentamento que teremos pela frente, que é contra os banqueiros", destacou Edson.

Equipado com fogão campeiro e churrasqueiras, o recinto tem ainda mesas e cadeiras em estilo rústico e um bolicho, onde o bancário pode comprar um trago para beber socialmente. A cada ano que passa, o número de freqüentadores aumenta cada vez mais.

"Este espaço já é tradicional dos bancários. O momento coincide com o início de nossa campanha salarial e que o passado revolucionário do gaúcho nos motive para mais este embate que teremos lá fora", destacou o presidente do SindBancários, Juberlei Baes Bacelo, durante a abertura da porteira.

Chama Crioula

O Piquete também fez durante uma hora a guarda a Chama Crioula. Trata-se de um símbolo idealizado por jovens estudantes vindos do interior gaúcho para a Capital, que procuravam um espaço onde pudessem reviver suas origens do campo e cultivar sentimentos regionalistas.

À meia noite do dia 7 de setembro de 1947, antes da extinção do fogo simbólico da pátria, Paixão Cortes e dois amigos, então estudantes do Colégio Júlio de Castilhos, retiraram uma centelha da chama e a conduziram a cavalo ao saguão do colégio, onde ardeu em um candeeiro até a meia noite do dia 20 de setembro.

Durante esse período, os jovens realizaram uma programação que contou com cantos, poesias, palestras e exposições sobre a cultura gaúcha. Desde então, a Chama Crioula passou a representar um local onde o povo do Rio Grande cultiva as suas tradições.

Últimos dias

A porteira será fechada no próximo domingo, dia 20 de setembro, quando também ocorre o Desfile Farroupilha, em Porto Alegre, com carros alegóricos e apresentações do Movimento Tradicionalista Gaúcha, reunindo milhares de pessoas. Até lá, muitos bancários deverão passar no Acampamento, onde também é possível comprar inúmeros produtos campeiros e usufruir da estrutura do local, como lojas, açougues e restaurantes.

"O Piquete dos Bancários é a integração da categoria nas atividades de resgate da cultura e da história do povo gaúcho e brasileiro. Em tempos de globalização não podemos deixar de aprender as lições de bravura e combatividade de nossos antepassados para construir um mundo mais justo e solidário", ressaltou o diretor do SindBancários e secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr, que criou o slogan "Peleando por Dignidade", lançado este ano e estampado nas roupas dos participantes.

O Piquete dos Bancários é trilegal, tchê!

Fonte: Contraf-CUT com Seeb Porto Alegre