Copom reduz juros, mas taxa continua alta para consumidor e clientes bancários

Redução dos juros acompanha a baixa inflação, que reflete a estagnação econômica  –  O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu a taxa básica de juros para 10,25% ao ano. É a sexta redução consecutiva. A queda da Selic foi de um ponto percentual. Em termos nominais, é a menor taxa desde o final de 2013. Mesmo com a redução, os juros reais no Brasil seguem entre os mais altos do mundo, comprometendo a retomada da economia e prolongando os efeitos da crise.

A taxa de juros real é calculada a partir da divisão da taxa nominal (a Selic) pela inflação para o mesmo período. Com a prévia da inflação anualizada em 3,77% para maio (de acordo com o IPCA-15, calculado pelo IBGE), chega-se a uma taxa real de 6,24%.

Para a economista Regina Camargo, da subseção do Dieese na Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT) a manutenção de altas taxas de juros atende aos interesses dos grandes bancos e do mercado financeiro, que se aproveitam a elevada dívida pública para lucrarem milhões em aplicações financeiras remuneradas com elevadas taxas de retorno, o que transforma o Brasil num verdadeiro “paraíso para o rentismo”.

“Enquanto isso perdurar, enquanto se tiver uma parte da dívida pública atrelada à Selic e isso for motivo de ganhos para um restrito setor rentista, que é quem hoje manda no país e dita o timing e o conteúdo das reformas da Previdência e trabalhista, dificilmente vamos ter taxas civilizadas”, explicou a economista.

Segundo o presidente da Contraf-CUT, a redução dos juros acompanha a baixa inflação, que reflete a estagnação econômica. “O governo Temer está acuado e quer nos fazer acreditar que a economia está se recuperando. Na verdade, os juros estão baixando porque a população não tem dinheiro para ir às compras e o empresariado não investe por já ter visto que as reformas que queriam ver aprovadas não passarão com facilidade no Congresso. Com isso a economia não gira”, disse Roberto von der Osten, presidente da Contraf-CUT, lembrando ainda que o spread bancário (diferença entre os juros pagos pelos bancos do cobrado por eles dos seus clientes) é muito maior do que a taxa de juros real, que já é alta. “O que os bancos cobram de seus clientes é um absurdo. Eles ganham por todos os lados, tanto com os papéis que compram do governo quanto com o que cobram de seus clientes. Mas, não querem dar o devido valor aos trabalhadores que contribuem para que eles tenham os altos lucros que vemos nos seus balanços”, completou o presidente da Contraf-CUT.

Para von der Osten, o que o governo deveria fazer era utilizar os bancos públicos, como a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para forçar os bancos privados a reduzir o spread bancário. “Isso sim faria com que o setor produtivo investisse e tirasse o país da crise econômica que está vivendo. Mas, esse governo golpista e ilegítimo não vai fazer isso. O Temer não tem compromisso com o país nem com a classe trabalhadora, que é quem mais sofre com a crise. Ele é bancado justamente pelo capital do sistema financeiro, que é quem ganha com os juros altos”, disse.

Mais informações no site da Rede Brasil Atual.

Fonte: Contraf-CUT

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