quarta-feira, junho 20, 2018
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20ª Conferência Nacional une trabalhadores em defesa do patrimônio público

Com o tema “Em defesa das empresas públicas”, a segunda mesa da 20ª Conferência Nacional dos Bancários discutiu a importância das instituições públicas, como: a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil, a Petrobrás e Eletrobrás, para a sociedade e desenvolvimento do país.

O professor associado do Departamento de Ciências Econômicas da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Antônio José Alves Júnior, iniciou o debate com uma análise sobre como os bancos públicos se diferenciam dos privados por sua função social e capacidade de desenvolver a economia do país.  “Na economia que a gente vive, os investimentos de grande porte, como infraestrutura, agricultura, dependem de financiamento, e, muitas vezes, envolvendo atividades arriscadas. O sistema bancário privado entra nessas atividades com o pé atrás e cabe aos bancos públicos ofertar esse financiamento para que haja esse estímulo”, disse.

Uma análise sobre as mudanças ocorridas no sistema público brasileiro alertou sobre práticas do governo que têm como objetivo principal o desmonte das instituições públicas. “As medidas tomadas pelo governo refletem reformas feitas dentro do sistema, mudanças no programa Minha Casa Minha Vida, mudança de política operacional dos bancos, diminuição de participação dos bancos públicos e redução do número de agências. O Banco do Brasil já adotou a política agressiva de redução de postos de atendimentos e o número se aproximou do perfil do Itaú. A Caixa, de modo mais tímido, por ser mais resistente, conseguiu manter um pouco mais o número de agências. Esse quadro é preocupante, pois, invés dos bancos públicos reagirem, eles fazem o oposto.”

Jair Ferreira, presidente da Federação Nacional das Associações do Pessoal da Caixa Econômica Federal (Fenae), lembrou que, durante o governo Lula, a Caixa chegou próximo a 4 mil agências e postos de atendimentos. Conseguiu dobrar o número de trabalhadores, chegando a 101 mil. De 2014 para cá, já somos apenas 88 mil e as agências não para de fechar.”

Ferreira lamentou que a estratégia colocada pela atual gestão do banco, principalmente no Conselho de Administração, é do enfraquecimento da Caixa para transforma-la em Sociedade Anônima (SA). “O golpe está chegando através do Conselho de Administração. Esse é um grande debate que temos de fazer e não permitir que isso aconteça. Pois as empresas públicas existem para ir nos lugares que ninguém vai. Ajuda a desenvolver estes locais, com liberação de crédito, e tenta acabar com a desigualdade social.”

O Conselheiro de Administração Representante dos Funcionários do Banco do Brasil, Fabiano Félix, fez uma reflexão sobre o desmanche executado como política de estado no ataque ao patrimônio brasileiro. “Essa roda de destruição por onde passa não deixa nada além de cinzas. Aquele que se propor a pensar criticamente, primeiro tem que se desarmar para enfrentar o assunto. A forma como o governo Lula, sabiamente, utilizou os bancos públicos foi como instrumento de desenvolvimento. Não basta apenas discutir as estratégias de governança da empresa. Tudo isso se torna efêmero se você não envolve a massa. Com todo o êxito que houve na politica de distribuição de credito e fomento da economia do BB, os lucros que o banco conseguiu não foram suficientes.

Fabiano ainda citou que ao falar em empresas públicas, não se deve pensar apenas em lucro econômico. “Esse lucro é importante, mas não só de lucro vivem as estatais, temos que buscar o lucro dos resultados sociais. Temos de erguer essa bandeira e ir à luta!”

Trabalhadores da Petrobrás e Eletrobrás mostram sua força
Em um momento de forte ataque à Petrobrás, na qual os trabalhadores estão se mobilizando contra a privatização e o aumento dos combustíveis, a diretora da Federação Única dos Petroleiros (FUP) e secretária de Juventude da CUT, Cibele Vieira, iniciou seu discurso dizendo que “para falar da Petrobras, da importância da empresa estatal, preciso dizer que muita coisa que estamos passando hoje é porque a Petrobras é SA. O que é triste, pois é uma empresa que nasceu de mobilização popular. Nem se sabia que se tinha tanto petróleo no Brasil, mas já se sabia que era um bem estratégico. Não é à toa que eles tiveram que barrar a Petrobras, antes de fazer o golpe. Eles tiveram que criar um crime.”

Para ela, a abertura da Petrobras para as empresas certificadoras terem acesso a tudo foi o início da derrocada da empresa. Em seguida, foi a criação do plano de negócios e a mudança da Lei de Partilha, quando tiraram a operação única da Petrobras. “A disputa é para quem tem que servir o petróleo brasileiro? O dono majoritário da Petrobras é o governo, ou seja, o povo brasileiro. Mas, quando se pensa nos bens e nos lucros, só pensam nos acionistas?”

Ela lembrou que, enquanto antes houve um plano de expansão do refino, agora a empresa não usa nem que produz. “Paralelo a isso, o governo colocou os preços dos derivados de petróleo acima dos internacionais. Fizeram isso para a empresas internacionais entrarem no Brasil e se sentirem confortáveis para comprar a refinarias. Não tem explicação isso que está acontecendo, a não ser interesses escusos de desmontar a empresa.”

Já sobre a Eletrobrás, Esteliano Pereira Gomes Neto, secretário de Administração e Finanças do Sindicato dos Trabalhadores Energéticos do Estado de São Paulo (Sinergia-CUT), comentou sobre a proposta do governo em querer vender boa parte do patrimônio público, sendo 47 usinas hidrelétricas, 114 termelétricas, 114 eólicas e 1 solar, pelo valor de 12 bilhões. “É golpe! Estão entregando o patrimônio público e, além de vender a energia elétrica, estão vendendo a água. Precisamos impedir a entrega do nosso patrimônio, envolver os trabalhadores na luta e, desta forma, já nos programamos para a greve dos dias 11, 12 e 13 em defesa da Eletrobrás, todas as empresas públicas e pela soberania nacional.”

A 20ª Conferência Nacional dará continuidade aos debates com a mesa “O Sistema Financeiro que Queremos”, às 15h.

Fonte: Contraf-CUT