quinta-feira, agosto 16, 2018
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Sistema Financeiro é o tema da terceira mesa na 20ª Conferência Nacional dos Bancários

A 20ª Conferência Nacional dos Bancários reiniciou os trabalhos da tarde deste sábado (9) com a mesa sobre “O Sistema Financeiro que Queremos”. Por ter um amplo trabalho no tema, o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) foi convidado.

Elici Bueno, coordenadora executiva do Idec, explicou a atuação do instituto, que é constante no estímulo de políticas públicas para o consumidor. O órgão se dedica a cinco temas, além do Código de Defesa do Consumidor: alimentação saudável e sustentável, telecomunicações e direitos digitais, assistência à saúde, energia e sustentabilidade, mobilidade urbana, consumo sustentável, educação financeira e serviços financeiros. “No sistema financeiro, nosso objetivo é buscar o equilíbrio nas relações entre bancos e consumidores, por meio de oferta e qualidade na prestação de serviços bancários.”

Antes de passar a palavra a seu colega, Elici Bueno afirmou que “os bancos ocupam, no máximo, uma faixa de 16% de existência de políticas voltadas aos direitos humanos e sociais. O sistema financeiro que não queremos, com certeza é este.”

Gustavo Pereira de Melo, assistente de pesquisas do Programa Financeiro do Idec, começou sua apresentação ao lembrar que os juros dos cartões de crédito no Brasil são os maiores do mundo, 60% a mais que o segundo colocado, a Argentina. “A situação não é melhor se falarmos de cheque especial. Nos últimos dez anos, a média de juros foram quase o dobro da inflação.”

Esses números mostram um grave problema para a população, como aponta pesquisa feita pelo Idec, em 2016, sobre tratamento ao superendividamento. “O Brasil conta com mais de 62 milhões de superendividados e a publicidade e a oferta de crédito facilitados sem critérios de avaliações de pagamento são os principais responsáveis. Além dos juros altos, as condições e linguagem dos contratos são de difícil compreensão pelo cidadão comum e as diminuições na Selic não são repassadas aos consumidores”, aprontou ele.

Melo informou que de 54% das pessoas que tentaram renegociar dívida, só 39% obtiveram sucesso. “Não existe um comprometimento dos bancos em criar um serviço para o pagamento de dívidas que seja para beneficiar o cliente.”

Por isso, o Idec definiu que “o sistema financeiro que queremos” é com melhor qualidade na prestação dos serviços bancários e preços justos, avaliação responsável de crédito e redução das taxas de juros, política de acessibilidade inclusiva e tratamento do suprendividamento e aprovação do PL 3515, o PL do Suprendividamento.

Na sequência, a economista da subseção do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) da Contraf-CUT, Vivian Machado, apresentou dados que mostram o crescimento do investimento dos bancos em tecnologia. “Desde 2012, quando o Banco Central discutiu a regulamentação do ambiente eletrônico, as transações via mobile ultrapassaram os canais tradicionais. Em 2017, os bancos investiram 19,5 bilhões no segmento, sendo grande parte dele para softwares.”

De acordo com Vivian, a tecnologia avança e as estruturas físicas dos bancos diminuem. “No ano passado, 1600 postos de trabalho foram fechados. Enquanto as agencias físicas fecham, as agências digitais triplicaram de 101 para 373, em 2017. O Banco do Brasil fechou 770 agências físicas, o Bradesco 629 e o Itaú 149.”

A economista alertou ainda sobre os riscos do Open Banking, novo modelo de negócios digitais através de aplicativos disponibilizados por uma instituição financeira para que empresas e terceiros possam prover serviços específicos. “Quando você baixa o app de uma loja você já está autorizando que seus dados estejam compartilhados com essas empresas. O sigilo acabou. Podemos ter até mesmo um único app para todos os bancos.”

Para encerrar a mesa, a socióloga Bárbara Vallejos, também da subseção do Dieese na Contraf-CUT, trouxe reflexões sobre “O cenário do Mercado de Trabalho e Negociações Coletivas” após a reforma trabalhista. “Em primeiro lugar, desde que se abriu um novo ciclo político a partir do golpe, do ponto de vista econômico tem-se visto uma deterioração do mercado de trabalho, com concentração da renda e aumento da pobreza”, observou.

Bárbara lembrou que os seis maiores bilionários do país concentram a mesma riqueza do que 50% da população. Ao falar sobre os primeiros impactos da reforma trabalhista, Bárbara observou que o desemprego atinge 12,9% da população, com queda do número de vagas com carteira assinada e aumento das vagas precarizadas, sem carteira assinada. “Mas, se observarmos a taxa de subutilização, veremos que existe um grande número de pessoas que deixaram de procurar emprego e, com isso, não são consideradas na pesquisa de desemprego. Se considerarmos esse fato veremos que o número de desempregados sobe para 26 milhões de pessoas”.

Negociações coletivas
Na análise das negociações das campanhas salariais das categorias com data-base no primeiro quadrimestre do ano, a socióloga do Dieese observou que o número de convenções coletivas sofreu uma redução de 42% na comparação com o mesmo período de 2017.

Em sua apresentação, a socióloga falou também sobre o enfraquecimento dos sindicatos, que sofreram uma queda de 80% em sua receita, da redução de 45% no número de reclamações trabalhistas e outros dados fundamentais para a categoria analisar a conjuntura do emprego no sistema financeiro e da economia brasileira.

A 20ª Conferência Nacional dos Bancários segue até domingo (10), quando será aprovada a minuta de reivindicações para a Campanha Nacional 2018 (veja a programação completa).

Fonte: Contraf-CUT