Em reunião no dia 6, o banco empurrou para o próximo dia 22 a discussão sobre as propostas dos trabalhadores para manter os empregos – (São Paulo) Os representantes dos bancários e o Santander retomaram nesta terça-feira, dia 6, as negociações sobre o processo de fusão do banco com o Real. Na primeira reunião do ano, o banco apresentou poucos avanços, deixando os trabalhadores sem resposta para as principais reivindicações do Sindicato que garantem os empregos. Nova rodada de negociação ficou marcada para o próximo dia 22.

A diretora do Sindicato e funcionária do Santander, Rita Berlofa, diz que os bancários querem respostas objetivas para suas reivindicações já na próxima reunião. "Apresentamos uma série de propostas para criar vagas e alternativas para evitar demissões. Os sindicatos estão se movimentando para encontrar soluções, mas o banco precisa mostrar seriedade nas negociações, porque é inadmissível que uma empresa tão lucrativa dispense seus funcionários por conta de uma aquisição que só traz dividendos para ela. Por enquanto, estamos apostando no processo de negociação, que é positivo tanto para o trabalhador quanto para o Santander. O próprio Banespa é exemplo disso, pois quando o banco aceitou negociar com o Sindicato, na época da privatização, o processo foi menos traumático para ambos os lados", afirma.

Rita destaca que todas as propostas apresentadas pelo Sindicato visam criar vagas e evitar dispensas. Ela ressalta que os bancários não vão admitir que o histórico de demissões ocorrido em todas as fusões e aquisições que aconteceram no sistema financeiro nacional se repita. "Este tipo de negócio não pode significar lucro para os banqueiros e prejuízo para os bancários", comenta.

Durante a negociação, os representantes dos bancários deixaram claro para a direção do banco que não há motivos para que as reivindicações não sejam atendidas. Os representantes dos trabalhadores ressaltaram a saúde financeira do grupo e lembraram que o Brasil é responsável por 20% do lucro mundial do Santander. A expectativa da diretoria do grupo é lucrar no Brasil cerca de US$ 8,5 bilhões nos próximos três anos. Além disso, a incorporação do Real deve garantir uma economia de R$ 2,5 bilhões nos custos operacionais do grupo só aqui no país. “Diante deste desempenho, é uma vergonha para o banco demitir um funcionário. Se a fusão é um ótimo negócio para a empresa, os bancários não podem ser prejudicados”, afirma Rita.

O diretor do Sindicato e funcionário do Real, Marcelo Gonçalves, destaca que, se não houver respostas positivas do Santander na próxima reunião do dia 22, os bancários vão esquentar a luta pela manutenção dos empregos. "Vamos preparar a resistência, porque nossas propostas evitariam as demissões, principalmente no que se refere ao incentivo de desligamentos de quem já está ou pode se aposentar, à licença remunerada pré-aposentadoria e ao centro de realocação. Os bancários que tiverem alguma dúvida sobre nossas propostas devem procurar o Sindicato para conhecer melhor nossas reivindicações. Aliás, os colegas oriundos do Banespa conhecem muito bem os efeitos positivos da licença remunerada pré-aposentadoria. Se você trabalha com um deles, converse com o colega e veja como esse programa foi extremamente salutar para o emprego dos bancários na época da privatização", comenta Marcelo.

Conquista inédita – A boa notícia da negociação desta terça-feira foi a extensão do acordo coletivo dos funcionários do Santander para os bancários do Real, nas cláusulas que couberem. Essa é uma conquista histórica, pois é a primeira vez que os bancários do Real garantem um aditivo à Convenção Coletiva da categoria, com benefícios que vão além dos acordados com a Fenaban.

Manutenção dos empregos – Entre as reivindicações que os bancários apresentaram para gerar vagas e evitar um processo de demissões, duas beneficiam diretamente quem está próximo de se aposentar. Uma delas, garante um incentivo ao desligamento do trabalho para os bancários que já se aposentaram pelo INSS ou que reúnem condições para isso.

No mês passado, o banco se comprometeu a retomar essa discussão no início de janeiro, mas nesta primeira negociação do ano não apresentou respostas. Os representantes dos bancários reivindicaram também a extensão do plano de saúde, que muitos funcionários perdem com a aposentadoria, e a continuidade do pagamento do vale-alimentação.

Outra reivindicação que ficou sem resposta é a licença remunerada para quem está prestes a se aposentar. Pela proposta dos bancários, o programa desliga do trabalho o funcionário que está em vias de completar o tempo para aposentadoria, mas o banco continua pagando o salário e os benefícios. O Santander justificou que as discussões internas estão avançadas e que no próximo dia 22 apresenta uma proposta mais detalhada. Os bancários destacaram que este programa foi benéfico para os funcionários durante a privatização do Banespa e que o próprio Santander oferece essa opção aos seus empregados na Espanha, Uruguai e Argentina.

"São propostas que beneficiam esses trabalhadores que estão em vias de se aposentar, mas também favorecem todos os funcionários do grupo, porque abrem vagas e evitam demissões. Para o banco, também é positivo, pois mostra responsabilidade social e é viável financeiramente", comenta Marcelo Gonçalves.

Centro de realocação – Durante a reunião, o Santander expôs o andamento do programa de realocação dos bancários, chamado de Vem Trabalhar na Rede, outra reivindicação dos trabalhadores para abrir vagas e evitar demissões.

Segundo o Santander, na primeira fase do programa um total de 521 bancários se inscreveram, sendo 142 do Santander e 379 do Real. Desse grupo, 46 já foram realocados nas agências.

O banco garantiu que até o início do mês que vem reabrirá o programa de realocação. O Sindicato também reivindicou a concessão de um auxílio deslocamento em casos de transferência para outros estados e municípios.

Saúde e Previdência – O Santander garantiu aos representantes dos bancários que não tem previsão de mudanças para o plano de saúde. O banco se comprometeu que a qualidade dos serviços prestados atualmente será preservada.

Sobre a previdência, o Santander afirmou que está estudando a possibilidade de criar um plano para contemplar os bancários que ainda não têm. Para os demais, não há previsão de mudança.

Call Center –  A direção do Santander também garantiu que não há nenhuma previsão de alteração para os funcionários do Call Center e que qualquer mudança será discutida com o Sindicato em mesa de negociação. Os bancários reiteraram na reunião desta terça a reivindicação para o banco incorporar ao seu quadro de funcionários todos os trabalhadores terceirizados do Call Center do Santander.

Cipeiros – Os bancários também reiteraram na negociação desta terça-feira a reivindicação de manutenção da estabilidade no emprego para os bancários eleitos para as Cipas em prédios que vierem a ser fechados ou em transferências por interesse do banco. O Santander ficou de responder no dia 22.

Fonte: SEEB – SP / Fábio Jammal Makhou