Beneficiado pela antecipação de R$ 5 bilhões em créditos pelo Tesouro Nacional, o Banco do Brasil fechou o primeiro semestre da safra 2008/09, iniciada em julho, com desembolsos 37,5% superiores aos registrados no mesmo período do ciclo anterior. O banco emprestou ao setor R$ 18,3 bilhões para custeio, investimento e comercialização até dezembro de 2008.

Coincidência ou não, a expansão equivaleu exatamente ao "adiantamento" bilionário feito pelo governo para atender à demanda de crédito reprimida pela crise financeira global irradiada pelos Estados Unidos. "As decisões do governo foram cumpridas e, como se vê, deram resultado", disse o vice-presidente de Agronegócio do BB, Luís Carlos Guedes Pinto, ao Valor.

O banco também elevou em 71% os empréstimos para a comercialização da nova safra, cujas aplicações na sustentação de preços somaram R$ 2,3 bilhões. "Fizemos muito nessa área. Só em EGF [carregamento da safra], crescemos 180%". Foram financiados R$ 1,3 bilhão até aqui.

A carteira de crédito do banco oficial cresceu 23% nos últimos 12 meses encerrados em novembro de 2008. Nos demais bancos, a expansão chegou a 13%, segundo o BB. Dono de 62% do mercado de crédito rural, o banco tem R$ 62,83 bilhões emprestados ao setor rural.

Guedes Pinto, que tem estimulado discussões no governo sobre uma "reengenharia" no sistema de crédito rural, acredita que "não é bom uma concentração excessiva no Banco do Brasil". Ele prega o uso de mais "garantias" para alavancar recursos adicionais para o setor. No BB, por exemplo, 70% dos R$ 10,7 bilhões em custeios liberados à chamada agricultura empresarial tiveram a cobertura de um seguro rural. "Também conseguimos fazer ‘hedge’ de preços futuros em 11% desses empréstimos", diz o vice-presidente.

O acerto da política de estímulo ao uso de "mitigadores de risco", como seguro e "hedge" em bolsas e mercados futuros, ficará ainda mais evidente, segundo ele, com a forte estiagem enfrentada pelos produtores da região Sul do país e de parte de Mato Grosso do Sul.

A atuação do Banco do Brasil continuar mais forte na região Sul. Os produtores empresariais e familiares do Paraná lideraram, com R$ 3,4 bilhões, a contratação de crédito no primeiro semestre da safra. Os gaúchos fizeram R$ 3,47 bilhões em empréstimos e lideraram no segmento familiar. Os produtores paulistas obtiveram R$ 2,01 bilhões até aqui. Em Goiás, foram liberados R$ 1,5 bilhão. Principal produtor de soja do Brasil, o Estado de Mato Grosso teve R$ 750 milhões em financiamentos para produtores empresariais.

Os desembolsos do BB para a agricultura familiar chegaram a R$ 4,27 bilhões nesta primeira metade do ano-safra, um resultado 23% superior aos R$ 3,49 bilhões de 2007/08 – foram R$ 3,16 bilhões para custeio e R$ 1,1 bilhão para investimentos. Na agricultura empresarial, o banco aplicou até aqui R$ 14,04 bilhões, ou 42,6% acima dos R$ 9,8 bilhões de 2007/08. O balanço mostra um avanço de 42% no custeio, para R$ 10,67 bilhões; de 8,5% nos investimentos, para R$ 1,06 bilhão; e de 71% na comercialização, para R$ 2,3 bilhões.

Fonte: Valor Econômico / Mauro Zanatta