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mutreta2.jpgHá dez anos, essa proporção estava em 76%. Se considerados apenas os cinco maiores bancos, a concentração chega a 90,1%, contra 57,4% em 1999 – A nova onda de fusões e aquisições que movimenta o sistema financeiro nacional há mais de um ano está aumentando a concentração do mercado bancário no Brasil numa velocidade impressionante. Atualmente, os dez maiores bancos que atuam no país respondem por 94% das 18,9 mil agências bancárias em funcionamento. Há dez anos, essa proporção estava em 76%.

Se considerados apenas os cinco maiores bancos, a concentração chega a 90,1%, contra 57,4% em 1999. O cálculo foi feito a partir dos balanços apresentados pelos bancos em setembro, mas já considera as fusões anunciadas desde então.

“Não é só para o emprego dos bancários que as fusões e aquisições no sistema financeiro nacional são prejudiciais. Os clientes também sofrem. A falta de concorrência entre os bancos pode ser medida pela dificuldade cada vez maior de se encontrar uma agência que não faça parte dos dez maiores bancos que atuam no Brasil. Com essa concentração, as instituições podem cobrar tarifas e taxas mais altas, além de precarizar o atendimento”, comenta o presidente do Sindicato dos Bancários, Luiz Cláudio Marcolino.

A lista dos dez maiores bancos do país também revela como os clientes têm cada vez menos possibilidade de escolha na hora de abrir uma conta. Em 1999, esse grupo era composto exclusivamente pelas chamadas instituições de varejo, que se destacavam pela capacidade em captar depósitos por meio de contas correntes, poupança ou CDBs. Hoje, após as várias fusões e aquisições ocorridas no setor, o grupo dos dez maiores inclui bancos como o Votorantim, que ganhou mercado basicamente com operações de financiamento de veículos, e o francês BNP Paribas, que tem como ponto forte a gestão de investimentos e possui, segundo o Banco Central, apenas quatro agências no país.

A concentração dos depósitos é outro reflexo do processo de consolidação do setor bancário. Segundo levantamento do Banco Central, em setembro, o total de recursos depositados nos bancos por seus clientes estava em R$ 1,082 trilhão, do qual 91,4% estavam nas dez maiores instituições financeiras. Há um ano – antes da compra do Real pelo Santander, da união entre Itaú e Unibanco e da compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil – essa proporção estava em 83,7%.

O emprego dos bancários – As fusões, privatizações e terceirizações têm prejudicado os clientes e usuários dos bancos, mas são os bancários as principais vítimas desse tipo de negócio, que já levou cerca de 250 mil postos de trabalho desde 1993.

O presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, conta que é a luta e resistência da categoria que vão impedir que novas demissões ocorram no setor por conta das fusões e aquisições. “No ano passado, o Sindicato e os bancários brigaram muito e conseguiram avanços importantes, como a garantia de emprego para os funcionários da Nossa Caixa, que foi comprada pelo BB. A luta, em 2008, impediu que até agora os bancos fechassem mais postos de trabalho. Por isso precisamos continuar mobilizados em 2009”, afirma.

Segundo os números do BC, os empregos no sistema financeiro ficaram estáveis nesse último ano, apesar da lucratividade do setor. Em setembro do ano passado, os bancos empregavam 550,8 mil pessoas, praticamente empatando com os 550,4 mil registrados em dezembro de 2007.

Fonte: SEEB – SP / Fábio Jammal Makhou com informações da Folha de S.Paulo