O Santander, maior banco da Espanha, encheu Bernard Madoff de elogios semanas antes de sua prisão pela suposta fraude de US$ 50 bilhões, chamando de "impecável" seu conhecimento sobre o momento para se entrar e sair do mercado, em informe para investidores. Advogados sustentam que o relatório levanta dúvidas sobre os controles de risco do banco.

Administradores de recursos da divisão de investimentos no fundo hedge Optimal, pertencente ao banco espanhol, cujos clientes estão entre os mais prejudicados no escândalo, disseram a investidores institucionais estar impressionados com sua capacidade de "encontrar pontos de entrada e saída ótimos, para benefício dos investidores".

A revelação do conteúdo do informe traz suspeita sobre a efetividade das operações de gestão de risco e de análise das contas. Alguns advogados disseram que informes de fundos como o do Optimal poderiam dar munição para investidores que querem processar terceiros que lhes venderam o fundo Madoff.

"Os documentos serão devastadores", afirmou o advogado Jacob Zamansky, representando clientes que pensam tomar medidas legais contra o Banco Santander, entre outros. Ontem, uma firma de advocacia espanhola informou que negociará com o banco em nome de um grupo de cem clientes espanhóis e latino-americanos afetados pelo escândalo.

Fundos hedge, bancos e gestores de recursos que investiram recursos no esquema de pirâmide financeira de Madoff divulgaram avaliações similarmente positivas sobre seu desempenho, de acordo com processos de investidores nos Estados Unidos.

O banco espanhol é o maior da região do euro, em termos de valor de mercado, e seu presidente do conselho de administração, Emilio Botín, há muito se vangloria por seus controles de risco.

O relatório para investidores informava que o Strategic US Equity Fund, do Optimal, integralmente investido com Madoff, tinha um valor de 3,21 bilhões de euros no fim de setembro. Deste então, o Santander admitiu que as perdas dos clientes chegaram a 2,33 bilhões de euros.

Executivos de banco de investimento espanhóis disseram que o Santander estava preocupado com o nível de exposição do Optimal aos investimentos de Madoff a ponto de enviar Rodrigo Echenique, diretor do banco, para reunir-se com o suposto fraudador em 27 de novembro.

O que ocorreu no encontro é incerto. Um cliente do Santander acredita que o banco tentou resgatar os fundos do Optimal e que isso pode ter levado Madoff a supostamente confessar a fraude a seus filhos. Um executivo a par do encontro, contudo, descreveu-o como inspeção de "rotina".

O Santander não quis comentar os documentos.

Fonte: Valor Econômico / Joanna Chung, Victor Mallet e Brooke Masters, Financial Times, de Nova York, Madri e Londres