A qualidade nos debates marcou a assembléia dos empregados que ingressararm no BESC realizada na última quarta 4, à noite, no auditório da Catedral em Florianópolis para discutir sobre os absurdos e abusos que os trabalhadores estão encontrando dentro do BB na fase de migração para o Banco do Brasil.

Na abertura da assembléia o dirigente do Sindicato dos bancários de Florianópolis e região, Cássio Ricardo Marques alertou que os trabalhadores não devem abrir mão de direitos fundamentais, como tempo de serviço e estabilidade, como quer a direção do Banco do Brasil. "Os trabalhadores oriundos do BESC querem continuar sendo bancários, sem renunciar aos direitos conquistados com muita luta".

Nas falas dos bancários e bancárias ficou patente o descontentamento. Agências lotadas, número reduzido de trabalhadores e clientes insatisfeitos.

Segundo relato da categoria e dirigentes do Seeb Florianópolis que têm visitado diversas unidades de trabalho, muitos empregados estão apenas cumprindo expediente, mas sem ter um trabalho efetivo. "Deixar o empregado na geladeira é assédio moral. Isso está muito distante da linha publicitária do Banco do Brasil que diz se preocupar com as pessoas", disse a advogada Susan Mara Zilli, da Assessoria Jurídica do Sindicato. E é nesse ambiente complicado que os empregados egressos do BESC ainda têm de se preocupar com o dia de amanhã, pois a direção do BB ainda não deu respostas suficientes para todos os trabalhadores.

Caminho jurídico deve andar junto com a mobilização

A diretoria do Sindicato dos bancários de Florianópolis região e a assessoria jurídica da entidade prestaram esclarecimentos quanto aos caminhos possíveis que poderiam ser tomados na Justiça para resolver as distorções que estão acontecendo dentro do BB. Os trabalhadores aprovaram que o Seeb Florianópolis faça uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho. Primeiramente, o MPT deverá fazer um processo investigatório, que pode levar a um ajuste de conduta junto ao Banco do Brasil. Ainda como conseqüência da denúncia, o Ministério Público poderá entrar com uma ação pública contra o Banco do Brasil. Mesmo com a denúncia que será feita junto ao MPT, outros caminhos na Justiça não estarão fechados para que os empregados egressos do BESC possam buscar a manutenção dos seus direitos.

Assinar um termo de adesão com renúncia de direitos adquiridos é um absurdo que está sendo cobrado pelo BB dos empregados oriundos do BESC. Abrir mão da contagem de tempo de serviço e da estabilidade que já está inserida no contrato de trabalho é renunciar ao patrimônio jurídico do trabalhador.

Denúncia foi feita na DRT no dia 30 de janeiro

No dia 30 de janeiro, a direção do Sindicato dos bancários de Florianópolis e região protocolou uma denúncia na Delegacia Regional do Trabalho quanto às irregularidades que vêm ocorrendo nas unidades de trabalho, principalmente com relação a folha de pagamento dos empregados egressos do BESC. A fiscalização da DRT pode resolver a questão, inclusive com a cobrança de multa. A Diretoria do SEEB vai novamente cobrar da DRT urgência na fiscalização ainda essa semana.

Ação política é fundamental nesse momento

Nos debates durante a Assembléia a Direção do Sindicato destacou que a ação na Justiça tem poderes, mas também tem limitações e mais, que a ação jurídica não pode e não deve ser o único caminho. A ação política organizada dos empregados egressos do BESC é fundamental nesse momento em que o Banco do Brasil parece ter dado as negociações sobre o processo de migração por encerrado. Cássio lembrou que os principais motivos para que os besquianos decidissem sair da Greve em 2008 foram as promessas do Banco do Brasil, feitas pela boca do vice-presidente de Varejo do BB Milton Luciano, responsável pela incorporação, no sentido de que haveria retroatividade dos contratos a 1º de outubro de 2008, quando foi efetivada a incorporação do BESC ao Banco do Brasil. A retroatividade oficializada pelo BB é a partir do dia 5 de janeiro de 2009.

Hoje o que se vê nas unidades de trabalho é muita insatisfação e insegurança pela falta de informação, pois setores estão sendo extintos e os empregados não sabem qual será o seu futuro dentro do BB. "O Banco do Brasil tem feito encenação nas últimas reuniões, para parecer que respeita os trabalhadores", enfatizou Cássio.

Na avaliação do Presidente do Sindicato dos bancários de Florianópolis e região, Clovis Mena Dutra, o Banco do Brasil está sendo incompetente no processo de incorporação. "O banco sequer fez um estudo jurídico decente para propor alternativas aos trabalhadores do BESC". O BB foi oportunista ao lançar o programa de migração em cima da hora dando um tempo ridículo para que o empregado egresso do BESC decidisse sua vida funcional.

Além da denúncia no Ministério Público do Trabalho, a Assembléia também aprovou segundo orientação do Sindicato uma atuação firme junto aos parlamentares catarinenses, dando publicidade aos nomes daqueles que aplaudiram a incorporação e hoje sequer respondem aos chamados da entidade para reuniões e debates. Um documento será elaborado pela Fetec/CUT/SC e entregue a bancada catarinense das esferas estadual e federal.

Vamos construir um grande Ato de protesto contra o BB

O Sindicato dos bancários de Florianópolis e região irá convocar os delegados sindicais do BESC e militantes para um debate já na próxima semana, com o objetivo de retomar a mobilização e construir uma grande atividade de protesto para mostrar à direção do Banco do Brasil que os besquianos ainda têm muita disposição de luta. Os empregados egressos do BESC vão mostrar ao BB a sua insatisfação e mostrar à sociedade catarinense todos os problemas que a tão propalada incorporação trouxe para os bancários. "O Banco do Brasil não pode fazer o que quiser com o trabalhador. O BESC ficou de pé graças aos bancários e aos catarinenses que confiam na instituição até hoje" destacou Clovis.

Encontro dos Empregados Pré-2004 deve acontecer este mês

Ficou agendada previamente a data de 14 de fevereiro para a realização do Encontro Estadual dos Empregados Pré-2004, deliberação da Plenária realizada no dia 21 de janeiro. O Encontro será promovido pela Fetec/CUT/SC. O Seeb Florianópolis levará para a reunião da entidade estadual cutista a sugestão de realizar o encontro no próximo dia 14, na Capital. A data será definida na reunião da Fetec na próxima semana e informada de imediato aos besquianos.

Fonte: Janice Miranda – Seeb Florianópolis