As 400 cruzes que representam as demissões promovidas pelo banco ganharam espaço e vão continuar pelas ruas até que Fabio Barbosa receba os representantes dos trabalhadores. – São Paulo – Tomada por trabalhadores carregando cruzes pretas, as calçadas da Avenida Paulista ganharam um ar diferenciado na segunda-feira, dia 9. Os bancários protestavam contra as 400 demissões promovidas pelo banco Santander no dia 15 de janeiro. Dias depois dos desligamentos, a divulgação do balanço do banco revoltou ainda mais os trabalhadores. No mundo, o lucro recorrente do grupo chegou aos 8,9 bilhões de euros, aumento de 9,4% em relação a 2007. No Brasil, responsável por 20% desse resultado, lucro líquido de 2,8 bilhões de reais, crescimento de 3,7% se comparado ao ano anterior.

"O Santander não precisa demitir. Está criando um clima de terror dentro da empresa, que não faz bem a ninguém. Além disso, interrompeu as negociações sem colocar em prática qualquer uma das alternativas apontadas pelo movimento sindical para evitar dispensas", afirma a diretora do Sindicato, Rita Berlofa, destacando que, com a suspensão do processo negocial, o banco também deixou de assinar o acordo aditivo dos funcionários do grupo, que estava praticamente fechado. "Um desrespeito inadmissível denunciado a toda a sociedade pelo ato que fizemos na Paulista", completa Rita. "E não vamos parar, até que o banco retome as negociações que têm como principal objetivo criar formas de garantir os empregos dos bancários."

O Sindicato aguarda um retorno do presidente do Santander no Brasil, Fábio Barbosa, sobre a carta enviada na quarta-feira, dia 4, cobrando a retomada das negociações.

Apoio – Na Paulista, a população recebeu o ato dos bancários com simpatia. "É um absurdo, como um banco pode demitir tanta gente assim, sem mais nem menos?", questionou o jornaleiro Fernando Ferraz.

O aposentado Sérgio Oliveira contou a história da filha. "Ela trabalhava no Real, antes da compra pelo Santander. Estava satisfeita com a carreira e não concordou quando viu as coisas que começavam a acontecer com a chegada do Santander. Acabou pedindo demissão e agora está fora do país, estudando."

Para a chilena Mercedes, os protestos contra demissões têm de ser feitos sempre. "Tenho filhas que trabalham no Itaú e elas ficam sempre atentas ao que está acontecendo em outros bancos que estão sendo incorporados. Têm receio do que possa vir a ocorrer", afirma.

Fonte: Seeb-SP/ Cláudia Motta