O Banco Mercantil do Brasil (BMB) teve em 2008 um lucro líquido de R$ 43 milhões, 17% acima do de 2007, em um resultado afetado pela decisão da instituição em aumentar as provisões para risco de crédito. Prevendo o crescimento da taxa de inadimplência tanto de pessoas físicas quanto de pessoas jurídicas, a instituição optou por destinar para este fim parte dos R$ 90 milhões da entrada líquida de recursos da venda da seguradora Minas Brasil para o grupo suíço Zurich. As provisões tiveram um incremento de R$ 41 milhões.

Segundo o vice-presidente executivo da instituição, André Brasil, a taxa de inadimplência das pessoas físicas saltou do nível histórico de 4,5% para 7% em janeiro e das pessoas jurídicas evoluiu de 1,4% para 2%. "Optamos por obter um resultado contabilmente menor para nos anteciparmos a uma tendência clara do mercado", disse.

O balanço global de 2008 mostra um aumento de 11% nos depósitos a prazo, que passaram de R$ 2,4 bilhões para R$ 2,7 bilhões. Mas no segundo semestre do ano passado houve uma queda de 8% nestas aplicações, sendo 17% entre as pessoas jurídicas.

De acordo com Brasil, esta queda representou uma perda de cerca de R$ 400 milhões, compensada pelo aumento de disponibilidade resultante de pagamento de operações de crédito, que atingiram o patamar de R$ 500 milhões na segunda metade do ano. "A tendência do final de 2008 já mostra sinais de reversão. Neste mês de fevereiro, a projeção é que as captações já superem os resgates", disse.

A inadimplência em alta fez com que as taxas de juro praticadas pelo BMB subissem este ano. A linha para capital de giro, por exemplo, está em 10% ao ano. Brasil disse não saber dizer qual o valor médio para esta linha ao longo de 2008.

Para 2009, o BMB trabalha em um cenário relativamente otimista, projetando crescimento do PIB nacional de 2% e a taxa Selic em 10,75% no mês de dezembro. O BMB prevê uma expansão na carteira de crédito de 17%, puxada pelo crédito consignado e pelas operações com pessoas físicas. Segundo Brasil, este resultado , se confirmado, mostrará uma desaceleração em relação a 2008, quando o crédito da pessoa física se expandiu em 29%.

O resultado do patrimônio foi afetado contabilmente pela venda da seguradora. Em 2008, o balanço consolidado do grupo mostrou ativos de R$ 559,4 milhões, ante R$ 562,1 milhões em 2007. O patrimônio exclusivo do banco passou de R$ 502 milhões para R$ 521 milhões.

O banco ainda diminuiu em 2008 a sua captação externa. As emissões de títulos no exterior caíram de US$ 465 milhões no ano retrasado para US$ 389 milhões no ano passado. A razão foi um pagamento feito pelo BMB no final de 2008 de US$ 76 milhões a seus investidores.

Com 2,6 mil funcionários para as suas 150 agências, o BMB demitiu no ano passado 130 empregados que atuavam na operação de crédito para a compra de automóveis. Segundo Brasil, de longe esta foi a operação mais atingida com a retração econômica. O BMB manteve os programas que preveem participação nos resultados, e deve distribuir para os funcionários R$ 18 milhões.

Sediado em Belo Horizonte, o BMB concentra no Estado a metade da sua rede de atendimento e realiza em Minas Gerais 60% de seus negócios. Embora o PIB industrial mineiro tenha registrado no ano passado retração acima da média nacional, Brasil discorda da avaliação de que o Estado será o mais afetado pela crise global.

"A economia mineira diversificou-se acima do que usualmente se supõe nos últimos cinco anos e o peso dos setores mais diretamente atingidos, como o automotivo, o siderúrgico e o mineral exportador, diminuíram a sua importância relativa frente a outros que ainda não sentiram o impacto da crise, como o da indústria de alimentos para o consumo doméstico, por exemplo", disse.

Fonte: Valor Econômico / César Felício