A Nossa Caixa anunciou nesta quinta-feira que obteve lucro de R$ 646,5 milhões em 2008, com alta de 113,3% sobre o apurado em 2007. Segundo o banco, que foi vendido ao Banco do Brasil no final do ano passado, as altas nas rendas com intermediação financiera –especialmente em crédito e títulos públicos — e tarifas foram responsáveis pelo crescimento dos ganhos.

A carteira de crédito do banco encerrou o ano passado com saldo de R$ 12,9 bilhões, com crescimento de 47,6% sobre os R$ 8,7 bilhões de 2007. Com isso, a Nossa Caixa ganhou espaço no mercado de crédito, já que o crescimento de todo o sistema financeiro foi menor (31,1%).

A carteira para pessoa física avançou 49,7% em 2008, para R$ 9,9 bilhões. Já o de pessoa jurídica atingiu R$ 3 bilhões, com avanço de 40,9%.

"O crédito às pessoas físicas, em especial o crédito consignado, foi o que apresentou o incremento mais significativo para esta evolução do total das operações de crédito", informou o banco em nota ao mercado.

A compra de carteiras de crédito, especialmente de consignado, teve forte importância neste crescimento. Ao longo de 2008, a Nossa Caixa comprou carteiras de seis instituições financeiras no total de R$ 1,9 bilhão.

"A aquisição dessas operações teve início em março de 2008 e fez parte de estratégia adotada para fortalecer a carteira de crédito do banco", explicou a Nossa Caixa. "O Banco Nossa Caixa tem dado preferência à compra de crédito consignado, mas também estuda a aquisição de novas carteiras de veículos e de pessoa jurídica com garantias reais."

Os índices de inadimplência apresentaram redução no ano passado, fechando em 4,6% nos casos de atraso de mais de 59 dias –2 pontos percentuais a menos do que em 2007. Mesmo assim, o banco decidiu elevar em 14,9% sua provisão para créditos de liquidação duvidosa, que agora possui R$ 718,1 milhões, sob a justificativa de que a inadimplência deve se elevar nos próximos meses devido ao aumento do desemprego no país.

Outra provisão que teve um forte crescimento foi a de contingências cíveis, que passou a R$ 805,5 milhões –25,4% maior do que no ano anterior. Essa provisão é utilizada pelo banco principalmente para o pagamento de diferenças de remuneração da poupança causados pelos planos econômicos Verão e Bresser.

A crise também se fez presente no aumento das despesas com intermediação financeira. Elas cresceram 25,8%, para R$ 4,6 bilhões. Além das provisões, outra despesa que cresceu fortemente foi a de captação de recursos, que avançou 25,6% "devido ao aumento no volume de recursos captados e das taxas que remuneram estes recursos."

Fonte: Folha Online