O HSBC pretende avançar com maior intensidade no mercado de crédito imobiliário para pessoas físicas. Para isso, trouxe Antonio Barbosa, do Banco Real, para o lugar de Paulo Renato Steiner, que foi cuidar de um projeto global no México.

Barbosa ficará responsável tanto pelos financiamentos habitacionais para pessoas físicas quanto pelo setor consórcios. Em ambos os segmentos trabalha com a meta de igualar a participação de mercado com o varejo do banco. "Hoje temos uma participação em torno de 3% no crédito imobiliário e de 2% em consórcios. Queremos chegar ao mesmo patamar do varejo do banco, que é de 6% de market share".

O banco tem a meta ambiciosa de ampliar em 25% a 30% o crédito imobiliário neste ano, saindo de uma concessão de R$ 450 milhões, em 2008, para R$ 600 milhões neste ano. No ano passado, o HSBC fechou em torno de 5 mil contratos, com uma carteira em habitação que soma aproximadamente R$ 1 bilhão. Nos consórcios, o estoque é de R$ 1,2 bilhão, sendo 60% de operações para automóveis.

Seguindo orientação estratégia para o varejo da instituição, as áreas sofrerão mudanças para que se tornem mais ágeis, com uma centralização maior do processo, para melhorar a experiência do cliente. Outro objetivo, que também segue meta global, é reforçar o "cross selling", ou seja, a venda de outros produtos para a atual carteira de clientes do banco.

Barbosa pretende, também, ampliar os canais de concessão de crédito. Hoje, as agências respondem por cerca de 70%. Outros 20% vêm das parcerias com imobiliárias e o restante, a menor parcela, são de clientes oriundo dos repasses das construtoras em imóveis novos.

Mas o maior potencial está justamente na entrega das obras em andamento financiadas pelo banco. Há cerca de 11 mil unidades a ser entregues nos próximos anos e boa parte dos novos proprietários pode se tornar mutuários do HSBC.

Encontrar canais alternativos é outra das tarefas do executivo para atingir classes mais baixas. A média de renda dos clientes do HSBC que possuem crédito imobiliário é de R$ 7 mil, mais alta que a média de mercado. A Losango, financeira do grupo, é um dos focos a ser tratado.

O lançamento de um certificado de recebível imobiliário (CRI) para "testar" o mercado também está nos planos para este ano.

O HSBC Bank Brasil teve um lucro líquido de R$ 1,35 bilhão em 2008, o maior desde o início das operações no país, em 26 de março de 1997. O resultado é 9% superior ao de 2007. O retorno sobre o patrimônio líquido foi de 24,34%. Os ativos totais cresceram 58%, de R$ 70,75 bilhões a R$ 112,1 bilhões. As operações de crédito tiveram aumento de 27%.

Fonte: Valor Econômico / Fernando Travaglini