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mailson3.jpgEx-ministro chama de “populismo inconseqüente” ações do governo federal junto ao Banco do Brasil para reduzir juros e ampliar crédito – (São Paulo) Apesar de tantas análises em contrário, ainda tem gente que aparece para defender a privatização dos bancos públicos no Brasil. Só precisam de uma desculpa e, para Maílson da Nóbrega – economista e ministro da Fazenda do governo José Sarney, quando a inflação no Brasil galopava acima dos 1.000% ao ano –, essa desculpa veio com a troca da presidência do Banco do Brasil, determinada pelo seu acionista majoritário, o governo federal.

O objetivo da medida é que o BB faça seu papel de banco público, puxando os juros para baixo e ampliando a oferta de crédito para ajudar o Brasil a superar a crise.

Na contramão de tendências internacionais, que admitem que os países que têm bancos públicos fortes estão mais aptos a enfrentar a crise mundial, o ex-ministro escreve em artigo da sua coluna quinzenal na revista Veja que “Já não existe falha de mercado que exija um BB estatal”.

O título do artigo não esconde intenções: “É hora de privatizar o Banco do Brasil?” e a resposta vai sendo construída com pérolas como a que consta logo do primeiro parágrafo: “A recente ingerência no Banco do Brasil frustrou quem achava que ele estava protegido contra o populismo inconsequente”. E prossegue com citações a países que deixaram de ser exemplo de qualquer coisa quando se trata de regulação da economia: “Bancos estatais se justificam se o mercado não é capaz de prover o crédito e o sistema de pagamentos. A Inglaterra e os Estados Unidos, onde não havia essa falha de mercado, enriqueceram sem dispor de bancos públicos. Países europeus criaram bancos comerciais estatais para se industrializar, mas praticamente todos já foram privatizados”.

Para o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, a opinião do ex-ministro não deveria ser sequer levada em conta. “Maílson da Nóbrega esteve à frente da economia brasileira num dos piores momentos para o país. Inflação nas alturas, endividamento, planos econômicos que golpearam os bolsos dos cidadãos e trazem problemas até hoje. Sabe-se lá porque ainda é ouvido”, afirma Marcolino, destacando que as políticas econômicas iniciadas com Sarney e levadas a cabo nos governos de Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso, quase quebraram o Brasil. “Até projeto de lei para terminar de privatizar o que restou já existia.” O presidente do Sindicato refere-se ao PL 373/1999 que previa a privatização do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e BNDES. “Se essas empresas não existissem mais, o Brasil estaria quebrado com a crise”, completa Marcolino.

A defesa de um Estado mínimo é a base do pensamento de Maílson da Nóbrega, expressa nesse artigo publicado na edição de 22 de abril da Veja. O ex-ministro admite que “Durante três décadas (até a de 1980), o crédito do BB se expandiu sem parar. Seus lucros cresceram. Tornou-se um dos oito maiores bancos do mundo. Tudo isso cobrando juros muito abaixo dos de mercado e com uma onerosa estrutura para atender à orientação do governo. A situação, pouco lógica e muito custosa para os brasileiros, era disfarçada pelos ganhos do BB com a ‘conta de movimento’ e a inflação”. Lembra que, eliminadas as rendas inflacionárias, após o plano real, o “BB quebrou na prática, mas foi salvo da falência com bilhões dos contribuintes”. Maílson parece achar ruim que o Estado tenha investido bilhões para salvar o Banco do Brasil, mas, em artigo publicado no jornal O Estado de S. Paulo (6 de abril de 2008) dá vivas ao Proer – que investiu bilhões dos contribuintes para salvar bancos e banqueiros privados – classificando-o como “bom e barato”.

Maílson acha que o BB está exposto a “obsessões do governo (ou objetivos eleitorais?)” e que para isso “conta com um forte incentivo: uma nova ruína do banco somente aconteceria em próximas administrações”. Para o presidente do Sindicato, isso é óbvio. “A ruína do Brasil seriam ‘próximas administrações’ que levassem a cabo o plano de acabar com o papel e a importância dos bancos públicos federais, como fizeram com quase todos os estaduais”, alerta Marcolino.

Fonte: SEEB – SP, com informações da Revista Veja