O Bradesco anunciou ontem novas estratégias para crescer no mercado de financiamento imobiliário e, em consequência, conquistar mais clientes, atraindo, em especial, a população de faixa de renda mais baixa. Segunda maior instituição financeira privada do País, o banco está esticando o prazo de financiamento da casa própria de até 25 anos para até 30 anos, condição válida para todas as modalidades de negócios que se encaixam no Sistema Financeiro de Habitação (SFH). O Bradesco também reduziu as taxas de juros para imóveis novos e usados com valor de até R$ 120 mil, além de outras faixas. Norberto Barbedo, vice-presidente do banco, afirma que, com essa redução de juros, o Bradesco passa a praticar a taxa mais baixa do mercado para essa faixa de valor e de moradias financiadas com recursos da poupança.

Conforme o executivo, a taxa de juros caiu de 10% para 8,9% ao ano (0,7% ao mês), mais a variação da TR. A redução dos juros é válida para os contratos pós-fixados e as novas regras já estão em vigor desde ontem, diz. O executivo observa que com essa estratégia o banco busca atrair uma parcela da população com renda familiar que antes não se enquadrava nas modalidades anteriores de financiamento.

As parcelas de um imóvel de R$ 100 mil nas condições anteriores eram de R$ 1.190,00 e agora, de acordo com as regras atuais, ficam em R$ 1.050,00, exemplifica. "Essa diferença de R$ 140 responde por quase 12% da prestação e é fundamental para viabilizar a entrada dessa população." Um outro exemplo atinge faixa com renda ainda menor, de três salários mínimos, que hoje tem sido atendida principalmente pelos planos habitacionais do governo. Segundo diz, com as novas regras, o Bradesco está financiando imóvel de R$ 51 mil em prestações de R$ 443, o que se aplica a essa camada da população. "É praticamente o valor de aluguel."

Barbedo ressalta que a queda nos juros e a ampliação do prazo é resultado da redução gradativa da taxa básica de juros. "Sem a queda na Selic isso seria impensável." O executivo diz também que a instituição estima que a maior demanda por financiamento imobiliário nos próximos anos virá das classes com renda mais baixa e cita como exemplo os inúmeros projetos de construtoras e incorporadoras voltados para essa faixa, além do sucesso do programa "Minha Casa, Minha Vida", lançado este ano pelo governo federal.

Atualmente, os financiamentos de imóveis avaliados em até R$ 130 mil respondem por 29% da carteira imobiliária do Bradesco, que fechou o ano passado próxima de R$ 5 bilhões. A meta é que essa fatia alcance 45% do total do estoque até o final de 2009, quando o Bradesco espera dobrar para R$ 10 bilhões a sua carteira de financiamento imobiliário, afirma. Em 18 meses, espera que a sua participação no mercado brasileiro de financiamento imobiliário passe de 22% a 25%.

Para alcançar tais metas, o banco também está reduzindo os juros em outras modalidades pós-fixadas: os juros caíram de 16% para 14% ao ano, mais a variação da TR, no financiamento de imóveis comerciais voltados para pessoa física; e, na carteira de imóveis residenciais com valor de R$ 120 mil a R$ 500 mil, a taxa caiu de 11% para 10,9% ao ano, mais a variação da TR. A instituição financia até 80% do valor de venda ou avaliação do imóvel e o comprador não pode comprometer mais de 30% da renda líquida com a prestação.

Barbedo diz que o Bradesco espera movimentar R$ 5,5 bilhões em novos negócios este ano, um pouco inferior aos R$ 6,3 bilhões de 2008, mas o volume, contudo, financiará mais unidades: 55 mil este ano ante 50 mil de 2008. A explicação é a expansão no segmento de renda mais baixa, cujo ticket médio é menor. Com o plano, o Bradesco pretende também atrair mais mutuários. Hoje, 33% da sua carteira é de financiamento ao mutuário e o restante, incorporadores. A meta é que os mutuários respondam por cerca de 60%, em três anos.

Segundo Barbedo, o financiamento imobiliário é uma boa estratégia de atrair clientes para outros produtos e de fidelizá-los, já que os negócios são de longo prazo. Nos últimos 12 meses, o volume de crédito imobiliário do Bradesco chegou a R$ 5,1 bilhões e 40.880 unidades. No primeiro trimestre deste ano, o banco destinou R$ 654,6 milhões para financiar 5.307 imóveis.

Fonte: Gazeta Mercantil / Iolanda Nascimento