O Bradesco BBI, banco coordenador da abertura de capital da Visanet, decidiu excluir 23 corretoras que intermediavam a venda de ações da administradora de cartões, sob o argumento de que teriam feito propaganda irregular da operação.

Entre as corretoras estão duas – Ágora e Bradesco Corretora – ligadas ao banco, maior acionista da Visanet e responsável pela operação.

"A decisão foi do Bradesco, que detectou uma potencial irregularidade no material de divulgação. Todo material tem de ser aprovado pela CVM, que pode suspender as ofertas", disse Felipe Claret, superintendente de registros da CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

A CVM manteve a oferta e não viu necessidade de estender os prazos.

Os investidores que fizeram reservas nestas corretoras teriam somente até as 16h de hoje para renovarem os pedidos nas corretoras que não foram excluídas. A lista das casas descredenciadas inclui algumas das maiores corretoras do país.

Além do Bradesco e da Ágora, foram excluídas Icap, Real, XP, Finabank, Geração Futuro, Fator, Ativa, CoinValores, Souza Barros, Elite, Gradual, Intra, Link, Hencorp, Solidus, Umuarama, Unibanco, Geral e Alfa. Na segunda-feira, a Banif e Senso já haviam sido excluídas.

Os interessados em ações da Visanet, maior processadora de cartões de crédito do país, tinham até hoje para fazer a reserva. Após isso, deve aguardar as ações da empresa começarem a ser negociadas na Bolsa, no dia 29.

O investimento mínimo era de R$ 3.000 e o máximo, de R$ 300 mil por investidor.

O IPO da Visanet é o maior em processo hoje do mundo. A expectativa é que o valor de arrecadação de ação fique entre R$ 12 e R$ 15 – a empresa espera movimentar mais de R$ 9,6 bilhões. Até agora, o maior IPO foi da petrolífera OGX, do empresário Eike Batista, que levantou R$ 6,7 bilhões na Bolsa.

A previsão é que os investidores estrangeiros fiquem com até 80% da oferta. Segundo a empresa, os investidores pessoa física deverão ficar com entre 10% e 20% das ações. A VisaNet reservou ainda 5% dos papéis para seus funcionários.

No ano passado, a VisaNet teve de abortar sua ideia de abrir o capital por conta da crise. A empresa deu entrada formal no processo na CVM no dia 1º de setembro de 2008. Após 64 aberturas de capital em 2007, a Bovespa só teve quatro operações no ano passado.

Fonte: Folha de São Paulo / Toni Sciarretta