Pouco mais de 65% dos bancos consultados pela pesquisa de projeções macroeconômicas da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) deste mês disseram que o país já está em processo de recuperação da atividade econômica, informou a entidade nesta quarta-feira. Apesar do otimismo, eles reduziram a previsão para o PIB (Produto Interno Bruto) de 2009, justificando a medida como uma "correção" ante a média das previsões do mercado financeiro em geral.

Segundo a pesquisa, 65,4% dos 30 bancos dizem acreditar que a economia do país já bateu no fundo do poço e agora tende a melhorar. "Vimos uma recuperação importante nos últimos meses", disse o economista-chefe da entidade, Rubens Sardenberg.

A percepção de melhoria pode ser vista também nas previsões de crédito e inadimplência. Os bancos disseram acreditar que a taxa de inadimplência acima de 90 dias deve fechar o ano em 5,6%, contra 5,9% da pesquisa anterior, realizada em maio. Na mesma comparação, a previsão de crescimento da carteira de crédito ante o ano anterior passou de 14,2% para 16,1%.

Se o desempenho da economia brasileira é vista com bons olhos, o mesmo não ocorre em relação à americana. Para 73,1% dos bancos, os EUA, na melhor das hipóteses, conseguiu estabilizar a atividade econômica num patamar mais baixo. A previsão do PIB americano na pesquisa recuou de -2,4% na pesquisa anterior para -3,3% na deste mês.

PIB

Apesar do otimismo com o Brasil, os bancos reduziram a previsão do PIB (Produto Interno Bruto) ante a pesquisa anterior, de queda de 0,01% para queda de 0,3%. "Antes [o setor bancário] estava um pouco mais otimista que o restante do mercado. Então fizemos um ajuste", explicou o economista. "O número fora da curva, na verdade, era o da pesquisa anterior. De um mês para cá, convergiu muito para que o PIB circule em torno de zero."

A principal correção que puxou o desempenho da economia para baixo foi a do PIB industrial, que foi de -2,2% para -3,3%. Já as previsões do PIB agropecuário (de -0,7% para -0,2%) e de serviços (de 1,1% para 1,6%) foram melhoradas.

Os bancos também reduziram a previsão da taxa de câmbio (de R$ 2,17 para R$ 2,01) e do saldo da balança comercial (de US$ 17,3 bilhões para US$ 16,8 bilhões), e elevaram a do investimento estrangeiro (de US$ 22,7 bilhões para US$ 23,9 bilhões), do resultado primário (de 1,8% do PIB para 2,3%) e da relação dívida/PIB (de 38,4% para 39%).

Selic

Para quase dois terços (64,3%) dos bancos, o Banco Central está próximo de interromper a sequência de quedas na taxa básica de juros. Segundo esse grupo, o Copom (Comitê de Política Monetária) irá reduzir a Selic em 0,5 ponto percentual, para 8,75% anuais, na reunião do dia 22 de julho, e manterá a taxa neste nível até o final do ano.

"Dois terços falaram em cair 0,5 ponto em julho e ter estabilidade a partir daí. O restante, em sua maioria, espera dois cortes de 0,25 ponto percentual nas próximas duas reuniões", disse Sarbenberg.

Para o final do ano, 71,4% dos bancos esperam uma taxa Selic de 8,75% anuais, e 17,9% apostam em uma taxa de 9% ao ano.

Para ele, eventuais discussões sobre a volta da elevação da Selic só ocorrerá quando a situação da economia estiver mais clara. "Por enquanto está tudo muito nebuloso para isso", disse.

Fonte: Folha Online / Ygos Salles