Afirmação é de José Roberto Heloani, bacharel em Direito pela USP, mestre em administração pela FGV-SP e doutor em psicologia social pela PUC-SP – (São Paulo) “No último ano, o setor bancário foi o que mais investiu em microeletrônica e em tecnologia, ao mesmo tempo foi o setor que mais demitiu, rebaixou salários e está readmitindo funcionários para ganhar menos do que ganhavam. Acontece, que é o setor que continua lucrando, e muito.” A afirmação é do professor José Roberto Heloani, bacharel em Direito pela USP, mestre em administração pela FGV-SP, doutor em psicologia social pela PUC-SP e um dos maiores especialistas em assédio moral do país.

Heloani lembra que o avanço tecnológico no mundo do trabalho era para resultar em qualidade de vida, mais tempo para o trabalhador se dedicar à saúde e à família. “Isso não aconteceu e o que o bancário vive hoje é toda essa pressão para cumprir metas. Ele é avaliado pela quantidade de produtos que vende e é assediado para cumprir esse trabalho”, diz o professor. Para ele, esse modelo de gestão contribui para a prática do assédio moral, o que ele afirma ser um assunto gravíssimo e que deve ser tratado com atenção pelos próprios trabalhadores e pelos sindicatos.

“O assédio moral não é problema do outro, é problema coletivo. Quem denuncia o assédio de outro trabalhador está realizando uma defesa futura. É essa intolerância diante de certas atitudes que faz o número de denúncias aumentar e o número de casos de assédio diminuir”, ressalta o professor, chamando atenção para a importância do bancário sair do isolamento e denunciar, exatamente o que o Sindicato prega.

Heloano destaca que o papel do Sindicato na proteção dos trabalhadores é fundamental. A entidade informa a categoria sobre seus direitos e abre o canal de denúncia por meio do site, da Folha Bancária, do diálogo com dirigentes sindicais. Os trabalhadores devem ficar atentos.

“Essa tecnologia (internet) ocupou um espaço que era dos sindicatos. Esse bloqueio (do contato pessoal do bancário com a entidade e seus representantes) resulta em cidadãos sem vivência política. Esses jovens trabalhadores estão frágeis até mesmo para recorrer à Justiça quando precisarem”, diz Heloani, ressaltando a importância da aproximação e alertando os bancários a freqüentarem o Sindicato, buscando informação e orientação sobre seus direitos e se fortalecendo.

Responsabilidade social? – Heloani também critica a distância entre o discurso e a prática dos bancos a respeito da responsabilidade social, tão apregoada pelas instituições financeiras, citando que as terceirizações promovidas pelos bancos são contrárias à postura responsável.

“Hoje, em um Call Center de banco, por exemplo, o assédio moral virou uma técnica para administrar pessoas. Tamanha discriminação e pressão contra o funcionário gera explosão em curto prazo ou pedido de demissão. E então, é só colocar outro funcionário no lugar.” O professor afirmou que fica muito contente quando é informado de alguma campanha sobre responsabilidade social promovida por algum banco, mas espera que ela comece dentro da empresa, para os funcionários, depois para os clientes.

Fonte: SEEB – SP / Gisele Coutinho