Depois da cobrança da Contraf-CUT e do Sindicato dos Bancários de São Paulo, a terceirizada Tivit cedeu e aceitou negociar a demandas dos funcionários. A reunião está marcada para sexta 3. "Os empregados da terceirizada estão sofrendo muito com a falta de condições de trabalho e com os baixos salários. Agora, vamos cobrar formalmente na mesa de negociações a solução desses problemas e esperamos seriedade da empresa nos debates", explica Lindiano José da Silva, diretor da Contraf-CUT.

Entre as principais reivindicações que serão levadas para a mesa de negociação está a equiparação salarial dos funcionários da Tivit com bancários. Segundo Lindiano, a discrepância nos vencimentos é tão grande que os empregados terceirizados recebem R$ 475 como salário base, enquanto o piso dos bancários é de R$ 1.013,64. Além disso, os vales alimentação e refeição dos empregados da Tivit são de R$ 3 cada por dia. Já os bancários recebem R$ 15,80 de vale-refeição por dia e R$ 272,96 de vale-alimentação por mês.

"O Sindicato dos Bancários defende que todos os trabalhadores que prestam serviço para os bancos sejam enquadrados numa única categoria, que é o ramo financeiro. Nos anos de 1980, tínhamos mais de 1 milhão de bancários no Brasil e hoje temos cerca de 465 mil. Mas o número de pessoas que trabalham para os bancos continua girando em torno de 1 milhão. Ou seja, a segmentação bancária empurrou a maioria dos empregados para fora da categoria, ficando à margem da Convenção Coletiva. Um dos nossos principais objetivos é incluir no debate e nas negociações sindicais todos esses trabalhadores para equiparar direitos e ampliar conquistas", diz Lindiano.

Os funcionários da Tivit prestam serviços para vários bancos, entre eles o Santander, Bradesco, Nossa Caixa, BV Financeira e Banco Ibi. "Os bancos são os verdadeiros responsáveis pela exploração das terceirizadas sobre seus funcionários", comenta Lindiano.

Denúncias – Nos últimos meses, o Sindicato recebeu inúmeras denúncias dos funcionários sobre irregularidades cometidas pela Tivi. "Tem muito empregado reclamando que só foi registrado vários dias após o início efetivo do trabalho. Os empregados também estão procurando o Sindicato para denunciar o pagamento incorreto dos benefícios e da comissão sobre a venda de produtos de seguridade. Estamos apurando essas irregularidades e vamos cobrar uma solução imediata da Tivit e principalmente dos bancos", afirma Lindiano.

Os empregados também fizeram uma série de denúncias contra as péssimas condições de trabalho na Tivit. As reclamações vão desde a falta de mobiliário e cadeiras quebradas a banheiros sujos e elevadores que não funcionam.

"Esses problemas ocorrem, segundo as denuncias, no prédio da Alfredo Issa. Os empregados reclamam que alguns andares são escuros porque as luzes não funcionam corretamente e que o ambulatório só atende com autorização da chefia, não importando a gravidade da situação. Essa denúncia é grave, pois se configura em omissão de socorro. Vamos insistir no diálogo, mas se a Tivit não solucionar os problemas, vamos aumentar a pressão e acionar os órgãos competentes para fiscalizar a empresa", finaliza Lindiano.

Fonte: Fábio Jammal Makhoul, Seeb SP