O Banco do Brasil (BB) ganhou mercado nas operações externas depois que a crise financeira internacional praticamente tirou do mapa dos negócios os bancos estrangeiros e secou as fontes de recursos das instituições privadas brasileiras.

A participação do Banco do Brasil no mercado de financiamento ao comércio exterior em adiantamento sobre contratos de câmbio (ACC) e cambiais entregues (ACE) aumentou, apesar de os volumes negociados terem ficado relativamente estáveis.

A fatia do BB no mercado de ACC e ACE passou de 27% no período de setembro de 2007 a setembro de 2008 para 32,3% no mesmo período de 2008 a 2009. Em junho, o BB atingiu o teto de 44% do mercado de ACC. Em junho de 2008, era de 29%. Levando em conta a média de negócios do semestre, a participação do BB foi de 33,4% em comparação com 25,6% em 2008.

O BB realizou em operações de ACC e ACE no montante de US$ 10,3 bilhões no primeiro semestre deste ano, praticamente o mesmo patamar de igual período de 2008, US$ 10,1 bilhões.

Se forem incluídas as operações de pré-pagamento, o volume de financiamento às exportações realizado pelo banco passou de US$ 11,8 bilhões a US$ 12,8 bilhões no mesmo período.

O vice-presidente de negócios internacionais e atacado do Banco do Brasil, Allan Simões Toledo, afirmou que a retração da oferta de créditos internacionais levou as empresas brasileiras a alongar os financiamentos, recorrendo mais a pré-pagamentos de exportações, realizados a prazos superiores a um ano. Somente a linha de pré-pagamento do banco saltou de US$ 190 milhões no primeiro semestre de 2008 para US$ 850 milhões no primeiro semestre deste ano. "Aumentamos em 8% os desembolsos apesar de as exportações brasileiras terem caído 8%. Ou seja, ganhamos mercado", afirmou Simões.

O Banco do Brasil também ganhou espaço nas operações de câmbio. A participação do banco nos negócios de câmbio de exportação ficou em 31,4% no semestre em comparação com 26,9% em igual período de 2008. No câmbio de importação, a fatia do BB subiu de 23,9% para 24,5% no mesmo espaço de tempo. Também nesse segmento, o banco manteve a média de operações realizadas, em 8 mil. Simões acredita que a tendência é consolidar participação acima de 30%.

O BB tem 43 pontos de atendimento em 23 países e analisa a oportunidades de crescimento no exterior. O BB está com a perspectiva de elevação de rating pela Moody’s em função da mudança do rating soberano.

Fonte: Valor Econômico / Maria Christina Carvalho, de São Paulo