Na sexta-feira o Banco Santander finalmente tornou concretos os seus planos de fazer uma oferta de ações no mercado doméstico e ampliar a sua base de capital para alavancar crescimento no país. O pedido de registro da oferta foi encaminhado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Ainda são poucas as informações públicas sobre a oferta. Segundo o Valor apurou, os planos são de realizar a venda dos papéis aos investidores em setembro. A transação deverá ser uma das maiores já feitas no país e deve ficar logo atrás daquela feita pela empresa de cartões VisaNet este ano, que superou os R$ 8 bilhões.

Tudo indica que a oferta de ações do banco ficará em torno de R$ 7 bilhões. Na semana passada, a direção da instituição chegou a informar que seria equivalente a 15% do capital social da instituição no país, que está em R$ 47 bilhões.

O prospecto da oferta trouxe a informação de que serão vendidas "units", ou seja, recibos de ações que reúnem mais de um papel. O documento não menciona, mas cada "unit" será formada por uma ação ordinária e uma ação preferencial do banco.

Os papéis do Santander serão listados no segmento Nível 2 de governança corporativa da bolsa brasileira. É o maior nível existente para empresas que possuem ações preferenciais além das ordinárias (com direito a voto). Por uma questão de manutenção do controle definido, exigido pela legislação local, os bancos não têm apenas ordinárias e não são negociados no Novo Mercado.

O dinheiro obtido com a oferta, segundo o prospecto, será usado para expandir as operações do banco espanhol no país. O documento fala em abertura de novas agências (hoje são 2 mil) e ampliação do número de caixas automáticos. O banco tem planos de abrir 600 novas agências até 2013.

Os planos de ampliação da oferta de crédito imobiliário são destacados. Em dezembro de 2008 o banco tinha R$ 7,7 bilhões em financiamentos imobiliários, incluindo à construção, o que representava 5,2% da carteira de crédito total.

Outros dois segmentos que o banco destaca no prospecto são o de seguros e o de cartões de crédito. A área de seguros do banco está em reestruturação e em março deste ano, o banco comprou, por R$ 678 milhões, os 50% restantes do capital da Real Tokio Marine Vida e Previdência, que pertencia ao grupo japonês Tokio Marine.

Em cartões, o banco já declarou estudar a entrada no rentável segmento de credenciamento de estabelecimentos, atualmente alvo de pressão do governo federal, que quer promover mais competição. Em dezembro de 2008 o banco tinha 4 ,8 milhões de cartões de crédito emitidos.

Fonte: Valor Econômico / Vanessa Adachi, de São Paulo