Uma retrospectiva histórica dos melhores momentos dos Congressos Nacionais da CUT deu boas vindas à 10ª edição. Delegados e delegadas vindos de todo Brasil participaram do ato político que reverenciou o histórico sindicalista, José Olívio, falecido em 2008, um dos fundadores da CUT e integrante da primeira Direção Nacional.

Para falar sobre o saudoso companheiro o 1º presidente da CUT, Jair Meneguelli, relembrou as histórias de luta. "Não estou como ex-presidente estou como convidado para falar algumas palavras sobre o companheiro José Olívio. No início da CUT tínhamos os companheiros do PCdoB na executiva e direção da Central, e não tínhamos paciência para contra-argumentar o discurso ideológico então pedíamos ao Zé que fizesse, pois ele sabia de todas as artimanhas".

O ex-secretário de Relações Internacionais da CUT, Kjeld Jakobsen, falou sobre a contribuição do amigo fora do país. "Ele foi o primeiro trabalhador a ocupar um cargo no exterior, talvez esta tenha sido a maior contribuição da CUT internacionalmente. A participação de José Olívio na construção do movimento sindical é inegável e foi fundamental para a construção da Central. Cabe a nós, recordar o sindicalista e valorizar o imenso legado deixado em prol da classe trabalhadora".

A família de José Olívio presente no evento foi homenageada com uma placa e flores. O filho Emiliano agradeceu em nome do pai. "Tenho certeza que ele está presente entre nós nesta noite. Estamos orgulhosos do homem político que ele foi, muitas vezes, abdicando de sua família mas tudo em nome de uma causa".

Emiliano contou também uma história que seu pai sempre relembrava. "Ele estava na Itália e pegou um táxi, ao perceber que ele era brasileiro o motorista perguntou. São brasileiros? Pensávamos que todos no Brasil eram travestis. Meu pai respondeu . Não, eles estão todos na Itália, onde estão os clientes. Esse humor define bem quem era o meu pai".

A viúva, Ângela Brasileiro, emocionada, agradeceu e ressaltou o orgulho que seu marido tinha de ser sindicalista. "Ele dizia: querem me transformar em um burocrata mas não vão conseguir eu sou um sindicalista cutista".

Veja alguns dos principais momentos dos nove Congressos Nacionais que a CUT já realizou

1984 – 1º Congresso Nacional da CUT
Realizado de 24 a 26 de agosto, reuniu cerca de 5 delegados (as). O Congresso deliberou pela campanha nacional pelas Diretas Já e definiu a greve geral como principal instrumento de luta da classe trabalhadora. O Congresso elegeu Jair Meneguelli, metalúrgico do ABC, como o 1º presidente da Central.

1986 – 2º Congresso Nacional da CUT
Realizado de 1º a 3 de agosto, no Maracanazinho, Rio de Janeiro, 5.564 delegados debateram a recuperação das perdas salariais impostas pelo Plano Cruzado, redução da jornada de trabalho para 40 horas semanais, direito de greve, reforma agrária e participação popular na Constituinte . Jair Meneguelli é reeleito.

1988- 3º Congresso Nacional da CUT
Realizada de 7 a 11 de setembro, no Mineirinho, em Belo Horizonte, foi o maior da história em número de delegados. Cerca de 6.244 trabalhadores aprovaram, entre outras resoluções, uma apresentada pelo seringueiro Chico Mendes, intitulada "Em Defesa dos Povos da Floresta". Jair Meneguelli assume seu terceiro mandato.

1991 – 4º Congresso Nacional da CUT
Realizado de 4 a 8 de setembro, em São Paulo, contou com a participação de 1.554 trabalhadores (as), que aprovaram um plano de lutas de controle ao projeto neoliberal do governo Collor e contra as privatizações das estatais. Jair Meneguelli é reconduzido à Presidência da Central.

1994 – 5º Congresso Nacional da CUT
1.918 delegados, reunidos de 19 a 22 de maio, em São Paulo, aprovaram a luta pela recuperação de salários, pela redução da jornada de trabalho, por moradia, saúde e emprego dignos, reforma agrária e por um novo modelo econômico para o Brasil. Destaque também para a política de gênero e racial. Vicentinho Paulo da Silva, metalúrgico, é eleito para presidir a entidade.

1997 – 6º Congresso Nacional da CUT
Realizado de 13 a 17 de agosto, em São Paulo, o Congresso aprovou uma ampla campanha contra as reformas neoliberais de FHC. Vicentinho é reeleito.

2000 – 7º Congresso Nacional da CUT
Realizado de 15 a 19 de agosto, em Serra negra (SP), teve participação de 2.309 delegados (as), que aprovaram campanhas contra a precarização do trabalho e contra o banco de horas. O professor João Felício assume o comando da CUT.

2003 – 8º Congresso Nacional da CUT
Entre as resoluções, a defesa da ampliação dos direitos previdenciários 2.712 delegados (as), reunidos em São Paulo entre 3 e 7 de junho, definem o posicionamento da CUT frente ao Governo Lula e elegem Luiz Marinho, metalúrgico, como presidente da Central.

2006 – 9º Congresso Nacional da CUT
Realizado de 5 a 9 de junho, em São Paulo, com a participação de 2.491 delegados. Aprovados os eixos do emprego, salário, desenvolvimento e inclusão social; democratização do estado, políticas públicas e universialização de direitos; fortalecimento da estrutura e organização de direitos; fortalecimento da estrutura e organização da CUT e estreitamento de relações com os movimentos sociais. O eletricitário Artur Henrique é eleito presidente da CUT.

Fonte: CUT