Depois do UBS, o Fisco americano poderá atacar mais 20 bancos suíços que teriam contas de americanos suspeitos de evasão fiscal, mantendo pressão sobre o já combalido segredo bancário helvético, segundo informações publicadas na Suíça.

O jornal "Tribuna de Genebra" cita os nomes do Credit Suisse, do Banco Julius Baer, do Banco Pictet, do Banco Wegelin, entre os que estariam na mira dos americanos para sofrer ações similares as dirigidas contra o UBS, nos próximos seis a doze meses.

O Banco Pictet, um dos mais tradicionais de Genebra na gestão de fortuna, diz que serve clientes americanos "respeitando perfeitamente o quadro legal", mas adiantou que já os aconselhou a se apresentarem ao fisco e "cumprirem suas obrigações fiscais".

A Associação Suíça de Banqueiros respira aliviada por ter-se evitado um processo contra o UBS nos Estados Unidos.

O banco, que já sofreu retirada de fundos de US$ 218 bilhões no ano passado, estava ameaçado de ter suas operações proibidas no principal mercado financeiro do mundo. Por sua vez, o presidente da Praça Financeira de Genebra, Ives Pictet, prefere considerar "pouco provável" que outros bancos sofram o mesmo tipo de pressão.

Na avaliação de certos analistas, o acordo extrajudiciário anunciado entre o UBS e o Fisco americano deverá servir de referencia sobre segredo bancário e fraude fiscal para todo o setor de gestão de fortuna offshore. As modalidades do acordo só serão revelados na semana que vem, mas podem ser decisivas para a praça financeira suíça. A entrega de nomes de clientes americanos modificará o segredo bancário. No momento, a questão é sobre quantos nomes de clientes o UBS vai entregar ao IRS (Internal Revenue Service, agência responsável pela coleta de impostos), e se escapará ou não de uma forte multa.

Os EUA ampliariam o prazo, de 23 de setembro para 30 de julho de 2010, para os clientes americanos se apresentarem espontaneamente ao Fisco. Desde o começo do ano, 35 mil clientes de bancos suíços, americanos ou domiciliados nos EUA, já teriam revelado sua poupança expatriada nos cofres helvéticos.

Em um ano, o UBS já entregou ao fisco americano dados de mais de 700 clientes. A questão agora é se os clientes da América do Sul, que abriram contas suíças a partir de Miami, poderão escapar da curiosidade das autoridades americanas.

Segundo o jornal "Le Temps", de Genebra, desde 2003 o UBS tinha um programa encorajando seus gerentes nos EUA e na América Latina a abrir contas suíças para seus clientes, através de uma filial discreta em Miami que contava com US$ 115 bilhões sob gestão ao final de 2008. "Le Temps" dá o exemplo do que o UBS considerava um cliente ideal: "um cliente brasileiro" em Miami procurando "diversificação internacional", aproveitando da "segurança e de uma discrição maior" na Suíça.

De acordo com o jornal, alguns dos ricos latinos na verdade viviam nos EUA e portanto eram contribuintes americanos, indicando que isso pode abrir o apetite das autoridades de Washington. O porta-voz do banco nos EUA, Mark Arena, disse ao Valor que não tinha informações sobre o que o jornal suíço publicou e reiterou que tudo deve ser "tratado como especulação e não confirmado".

Fonte: Valor Econômico