O resultado do Banco do Brasil no primeiro semestre, que o recoloca no posto de maior instituição financeira do país, desmonta o discurso dos bancos privados contra a redução dos juros e do spread e mostra o acerto da posição da Contraf-CUT e da Central Única dos Trabalhadores de que há espaço e é imprescindível para o desenvolvimento econômico do país aumentar a oferta e baratear o crédito.

Menos de 24 horas depois de o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setúbal, criticar os bancos públicos por reduzir os juros e o spread e afirmar que isso representa um risco para todo o sistema, o BB anuncia o lucro líquido de R$ 4,01 bilhões – o maior da história entre todos os bancos num primeiro semestre -, alcançado com a expansão da oferta de crédito e cobrando menos que os bancos privados pelos serviços financeiros.

"Achamos que ainda há muita margem para os bancos públicos reduzirem mais os juros e o spread e expandirem o crédito para toda a economia, para impulsionar o crescimento econômico e gerar mais emprego e renda nesse momento de crise", afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT. "Não é justificável e nem salutar para a sociedade brasileira um banco público apresentar tamanho lucro líquido enquanto setores da economia ainda se ressentem da crise e encontram dificuldades para captar crédito e, quando conseguem, têm de pagar os mais altos juros e spread do mundo."

O lucro do BB de R$ 4,014 bilhões no primeiro semestre representa alta de 0,55% ante o mesmo período do ano passado, mas o resultado de R$ 2,348 bilhões no segundo trimestre significa um aumento de 43% em relação ao mesmo período de 2008.

As receitas de operações de crédito totalizaram R$ 18,5 bilhões no primeiro semestre, alta de 32,7% em relação ao mesmo período de 2008, acompanhando o crescimento da carteira de crédito, que cresceu quase 44%, fortemente influenciado pelo aumento do CDC consignado. É quase o triplo da expansão média do crédito dos dez maiores bancos privados, que foi de 16,1% em relação ao segundo semestre de 2008, segundo a consultoria Austin Rating.

Spread cresceu no segundo trimestre

Os números do BB mostram também redução do spread global comparativamente ao mesmo período do ano passado (de 7,1% para 6,9%), mas um aumento se a comparação for feita entre o primeiro e o segundo trimestre de 2009, de 6,6% para 7,3%.

Movimento inverso ocorreu em relação ao spread que o BB cobrou do agronegócio: houve redução de 5,9% para 5,5% se a comparação for entre o primeiro e o segundo trimestre de 2009, mas registrou um aumento de 4,8% para 5,5% quando o período comparado for entre os segundos semestres de 2009 e de 2008. "Essa elevação do spread é inexplicável neste segmento historicamente preferencial do Banco do Brasil", afirma Marcel Barros, secretário-geral da Contraf-CUT.

"De qualquer forma, o BB mostra que é possível ampliar a oferta de crédito, reduzir os juros e o spread e ainda assim obter rentabilidade, ao contrário do que até recentemente pregavam em uníssono os bancos públicos e privados, e estes últimos ainda continuam defendendo pelas páginas dos jornais", acrescenta Marcel. "Mesmo com todas as dificuldades que o setor produtivo alegava para obter crédito, o BB tem a perspectiva de dobrar seu patrimônio em apenas três anos, o que é uma rentabilidade ainda muito alta e permite reduzir ainda mais o spread e os juros."

Fonte: Contraf-CUT