Crédito: Gabriel Maretti
Gabriel Maretti Representantes dos bancários entregaram nesta segunda-feira, dia 17, uma carta ao ministro da Previdência Social, José Pimentel, pedindo que interceda junto à presidência do Banco do Brasil para a manutenção do Centro de Suporte Operacional (CSO) do BB de Porto Alegre e Cuiabá. O ato ocorreu durante lançamento do projeto Empreendedor Individual, na Quadra dos Bancários, em São Paulo.

O documento foi elaborado pela Contraf-CUT, em conjunto com a Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul (Feeb-RS), a Fetec Centro-Norte, o Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários) e o Sindicato dos Bancários de Mato Grosso.

Pimentel, que é funcionário do BB e ex-diretor do Sindicato dos Bancários do Ceará, ficou de consultar as entidades de representação dos agricultores e outros setores que serão afetados, caso ocorra a extinção do CSO de Porto Alegre e Cuiabá, prevista pelo banco para dezembro próximo.

"A posição do ministro é um desafio e um estímulo para intensificarmos a mobilização dos sindicatos e federações dos bancários junto às entidades representativas dos trabalhadores rurais e na agricultura familiar e cooperativas, que não foram ouvidas pelo BB no processo de centralização dos serviços, durante a implantação das chamadas Medidas Estruturantes", afirmou o secretário de imprensa da Contraf-CUT, Ademir Wiederkehr.

"Vamos convocar a Contag, a Fetraf-Sul, a Fetag e a Ocergs, que representam os trabalhadores rurais e na agricultura familiar e em cooperativas, além de outras entidades, para que participem da audiência pública a ser realizada no próximo dia 25, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul", salientou o diretor de comunicação do SindBancários, Flávio Pastoriz.

"Pimentel mostrou que o caminho é o envolvimento das entidades que serão prejudicadas. Além do mais, a experiência do processo de centralização em outros estados mostra que o atendimento piorou, trazendo lentidão, atrasos e acúmulo de serviços na análise do crédito, afetando a imagem do BB junto aos clientes do banco", destacou o diretor da Feeb-RS, Mauro Cárdenas.

Os funcionários do BB também pretendem aumentar os contatos políticos com vereadores, deputados e senadores do Rio Grande do Sul e Mato Grosso. "Queremos sensibilizar todas as representações da sociedade gaúcha e mato-grossense para mostrar a importância da permanência do CSO para o fortalecimento do BB como banco público e o desenvolvimento econômico e social desses estados, que são celeiros da produção agrícola do País", concluiu Pastoriz.

Veja a íntegra da carta entregue ao ministro Pimentel:

São Paulo, 17 de agosto de 2009.

Ao
Ministro da Previdência Social
José Pimentel
Brasília – DF

Excelentíssimo Senhor Ministro:

Ref.: Manutenção do Centro de Suporte Operacional (CSO) do Banco do Brasil em Porto Alegre e Cuiabá.

Ao cumprimentarmos Vossa Excelência, vimos manifestar-lhe as preocupações dos funcionários do Banco do Brasil diante da previsão de fechamento, em dezembro próximo, do Centro de Suporte Operacional (CSO) de Porto Alegre e de Cuiabá, o que significaria perda da qualidade na concessão do crédito nesses estados.

Os profissionais do BB, lotados há muitos anos nessas unidades, são responsáveis pelo cadastro, fiscalização e estudo de operações de crédito rural e urbano. São capacitados para atender demandas regionais, em tempo hábil, devido à proximidade com a realidade local, o que facilita o processo de análise e liberação de crédito no Rio Grande do Sul e em Mato Grosso.

Enfrentamos uma crise financeira e os bancos públicos, principalmente o Banco do Brasil, são, sem qualquer dúvida, referência no crédito e um dos principais parceiros no fomento para o agronegócio, o comércio exterior e a indústria.

1. Porto Alegre

Ao longo de 2008, o CSO realizou mais de 80 mil procedimentos, tais como: 24 mil atualizações cadastrais, de pessoa jurídica e rural; e em torno de 46,5 mil análises de operações de crédito, sendo capital de giro, investimento rural, pecuário, Proger rural/empresarial. Foram mais de 5,3 mil operações de análise de agricultura familiar e uma infinidade de atendimentos telefônicos.

Não temos dúvidas de que se essas operações de crédito e financiamento feitas, via Pronaf (25% dos processos/recursos são encaminhados pelo RS), Proger rural, financiamento aos pequenos (agricultura familiar), médios e grandes produtores rurais, forem centralizadas em Curitiba, haverá perdas econômicas e políticas para o Estado.

O CSO está localizado no centro da capital gaúcha, no prédio da rua Uruguai,185 – 12° e 13º andar. É conhecido nacionalmente (no ambiente do BB) como altamente eficiente, se diferenciando, inclusive, do CSO de Curitiba, nas questões técnicas e de agilidade nas referidas operações.

É importante esclarecer que o projeto de fechamento de CSO é oriundo das chamadas "Medidas Estruturantes" implementadas sem qualquer diálogo com o movimento sindical, a partir de maio de 2007, durante a gestão do ex-presidente do BB, Antonio Lima Neto, afastado recentemente pelo presidente Lula, juntamente com mais oito ou nove vice-presidentes do Banco, porque se recusavam a reduzir os juros e o spread.

Não podemos admitir que o novo presidente do BB, empossado em abril deste ano, dê continuidade a esse projeto de centralização, herdado da administração substituída.

Caso o CSO de Porto Alegre venha a ser fechado e os serviços remanejados para Curitiba, a exemplo do que o BB fez em Ribeirão Preto, serão afetados por essa medida de duvidosa "responsabilidade social", cerca de 150 funcionários e seus familiares.

Se centralizados e/ou eliminados do RS, esses processos relacionados à análise e liberação de créditos deverão obedecer critérios ainda não conhecidos e/ou não dimensionados. O acúmulo de processos em Curitiba sobrecarregará todo o funcionalismo e trará, ainda, impactos negativos à qualidade e agilidade do trabalho.

Além dos danos causados ao funcionalismo, o que chama atenção é a indiferença com a "economia sustentável" do Estado, que tanto a direção do BB cita em suas peças publicitárias. É muito difícil entender essas ações do Banco, se considerarmos que o enfrentamento da crise financeira e de crédito passa pelo "destravamento" do crédito.

Observamos que em suas "medidas estruturantes" a diretoria do BB considera somente o que está relacionado à diminuição de custos. A lógica estruturante apresenta problemas, desde maio de 2007, tanto na área de comércio exterior,
como na área de agronegócio.

Um dos principais problemas é o tratamento de desrespeito, que vem sendo dispensado aos funcionários do Banco, que nas palavras do presidente do BB, na Revista BB, no espaço "Carta do Presidente", no mês de abril de 2009, absolutamente,não encontra eco de realidade.

Outro problema relevante é a perda de clientes do Banco. Desde o início dessas medidas, muitos clientes perderam a confiança na instituição e procuraram os concorrentes para encaminharem as suas demandas.

Mais do que dedicar especial atenção à oferta de crédito, seja para clientes pessoas físicas ou jurídicas, de grande ou pequeno porte, seja no agronegócio ou no comércio exterior, o BB precisa assumir efetivamente as funções de empresa pública, com mais transparência e responsabilidade, voltada para o desenvolvimento econômico e social dos estados e do país.

O Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região e a Federação dos Bancários do RS têm realizado uma série de movimentos, buscando a permanência da CSO. Já houve o envio de carta ao presidente do BB, Aldemir Bendine, e uma reunião com o vice-presidente de Tecnologia do Banco, em Brasília, que defendeu a extinção da unidade.

Documentos com pedido de apoio foram entregues ao senador Paulo Paim, às bancadas estaduais do PT e PDT na Assembléia Legislativa, onde está agendada uma audiência pública no próximo dia 25 de agosto. Também ocorreram reuniões com a bancada municipal do PT, na Câmara de Vereadores, além de contatos com o coordenação da bancada federal do RS. Ainda aconteceram encontros com a OCERGS, FETAG, CONTAG e FETRAF/SUL. Todos se manifestaram em favor da manutenção da CSO.

2. Cuiabá

As centralizações que foram realizadas em outros Estados do país, ao contrário das informações repassadas pelo BB, estão enfrentando diversos problemas. Exemplo claro é o caso de Curitiba, onde, de acordo com levantamentos junto aos funcionários, o CSO não está conseguindo atender nem 50% da demanda da região, causando demora e até mesmo a não-efetivação dos serviços.

Na CSO de Brasília, para onde querem transferir Mato Grosso, uma recente transferência de confecção de cadastro de pessoa jurídica e produtores rurais demonstrou que uma mudança como esta significará um tormento para os funcionários das agências, tendo em vista, a demora na operacionalização e até mesmo erros na confecção desses cadastros. O que ocasionará desgastes entre o funcionário e o cliente.

É necessário comparar os números de procedimentos efetuados pelo CSO de Cuiabá e o CSO de Brasília. Lá, onde já estão centralizados em torno de 10 estados – tais como Goiás, Amapá, Amazonas, Tocantins, Acre e Maranhão, além do Distrito Federal – de janeiro até junho de 2009 foram realizadas apenas 2,9 mil análises de operações de crédito, o que corresponde a uma média de menos de 300 operações por Estado.

Em Cuiabá foram realizadas mais de 2,4 mil operações, sendo em torno de 2 mil de Mato Grosso e 400 de Rondônia. Ou seja, o CSO de Cuiabá realiza para Mato Grosso em média 567% procedimentos a mais do que o CSO de Brasília para os demais Estados. Inclusive, na capital federal o tempo-resposta foi praticamente o dobro que o de Cuiabá. Esses são números concisos e que não tem como serem contestados.

Em relação ao estudo que o BB tem argumentado como fundamento da centralização, até o momento não foi apresentado. É necessário que a diretoria do BB apresente a todos os seus fundamentos, pois o único estudo apresentado pelo Banco aos funcionários era que em Mato Grosso haveria um CSO não vinculado a Brasília, devido às demandas do Estado. Sendo assim, não há motivos para a mudança.

Nem mesmo um possível argumento da empresa relativo à diminuição dos custos operacionais seria justificável, tendo em vista que em Cuiabá o prédio do CSO é próprio e possui as instalações tecnológicas necessárias. E nele trabalham funcionários mato-grossenses capacitados, havendo a proximidade tanto com a Superintendência quanto com as agências. Enquanto isso, em Brasília não há sequer prédio para implantar o setor.

Não se pode desconsiderar ainda os impactos sofridos pelas 95 famílias dos funcionários que possuem duas opções, ou se transferirem para Brasília, onde serão afetados economicamente (devido ao alto custo de vida em Brasília) e psicologicamente (devido à mudança do local onde mantêm relações sociais sólidas para um ambiente totalmente desconhecido), ou permanecer em Cuiabá com a metade do salário.

Lembramos que as decisões em que não são ouvidos a sociedade e os que irão executá-las, a empresa sempre incorrerá em prejuízos e, quando isso acontece, é necessário rever tais procedimentos administrativos.

A economia mato-grossense sempre foi próspera, segura e rentável. Possui uma grande extensão territorial correspondente a 48 milhões de hectares de terras agricultáveis férteis e de alta produtividade, o que equivale a 46% das terras agricultáveis do Centro-Oeste e 14% do Brasil.

O Estado é um dos principais exportadores de grãos do país, tais como a soja, o algodão e na produção de bovinos. Ocupa as primeiras posições e assim em diversas outras atividades econômicas, atraindo dessa forma investimentos, ampliando a geração de novos postos de trabalho, incrementando a renda e, conseqüentemente, melhorando a vida da população.

Considerando o grande montante de recursos previstos para os próximos 10 anos, devido ao ritmo acelerado de crescimento do Estado e somado à indicação de Cuiabá como Subsede da Copa de 2014, a economia mato-grossense será ainda mais alavancada. Dessa forma, haverá uma demanda ainda maior por crédito produtivo e, conseqüentemente, haverá a necessidade desta instituição financeira possuir mais pessoal qualificado e especializado para atender tal demanda.

Estes fatores fazem com que o Estado tenha diversas especificidades, e por isso devem ser consideradas na tomada de decisões do BB.

O Sindicato dos Bancários de Mato Grosso e a Federação dos Bancários do Centro-Norte têm promovido uma série de movimentos, visando dialogar com a direção do BB e procurando apoio de parlamentares e representantes da sociedade.

3. Reivindicação

Isto posto, vimos solicitar-lhe que interceda junto à presidência do BB no sentido de suspender as "Medidas Estruturantes" e preservar a CSO de Porto Alegre e Cuiabá, com prefixo próprio, como forma de manter a qualidade dos serviços prestados pelo Banco nesses estados.

Queremos o fortalecimento do BB como empresa pública e social e a valorização profissional dos bancários, principais responsáveis pela relação com os clientes e pelo crescimento do Banco.

No aguardo de sua resposta, subscrevemo-nos.

Atenciosamente

Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT)

Federação dos Bancários do Rio Grande do Sul (Feeb-RS)

Federação dos Bancários do Centro-Norte (Fetec-CN)

Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região

Sindicato dos Bancários do Mato Grosso

Fonte: Contraf-CUT