A edição desta quarta-feira, dia 19, do Jornal do Comércio, destacou a previsão de fechamento, em dezembro próximo, do Centro de Suporte Operacional (CSO) do BB, de Porto Alegre com a transferência dos serviços para Curitiba.

O veículo, que ouviu o funcionário do Banco do Brasil e diretor de Comunicação do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região (SindBancários), Flávio Pastoriz, representantes da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Sul(Fetag) e do BB, revela que a transferência, além de atrasar a liberação do crédito rural, prejudica o Estado, a autonomia dos produtores gaúchos e os 150 funcionários que trabalham no CSO.

Desde que o BB anunciou a mudança, o SindBancários vem buscando apoio de diversos ocupantes de cargos públicos. Já foram contatados o ministro da Previdência Social, José Pimentel, o superintendente do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no RS, Nilton Pinho de Bem, a bancada do PDT, os deputados estaduais Raul Pont, Gilmar Sossella, Adão Villaverde, Elvino Bohn Gass, os federais Emília Fernandes, Beto Albuquerque, Vieira da Cunha, Henrique Fontana, os vereadores Adeli Sell, Carlos Comassetto, outros ocupantes de cargos públicos e entidades representativas dos trabalhadores.

Nesta quinta-feira, dia 20, o SindBancários vai à Tribuna Popular da Câmara dos Vereadores para expor a situação.

Confira a matéria do Jornal do Comercio:

Banco do Brasil propõe mudança operacional e gera polêmica

A decisão do Banco do Brasil de transferir o Centro de Suporte Operacional (CSO) de Porto Alegre – que no ano passado realizou mais de 80 mil procedimentos, entre eles análises de operações de crédito,investimento rural, pecuário, Proger rural/empresarial, pode afetar o andamento da liberação de crédito rural no Estado.

A centralização do serviço em Curitiba (PR) está prevista para dezembro deste ano. "O tempo de avaliação e liberação de crédito rural pode triplicar", argumenta o diretor de comunicação do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre (SindBancários), Flávio José Pastoriz.

A possível demora é atribuída ao fato de que, com a mudança, os documentos dos produtores interessados em contratar crédito levariam muito mais tempo para chegar ao banco, já que precisam ser enviados via malote. No sistema atual, o pedido de crédito leva em média de dois a três dias para ser liberado. O diretor do SindBancários argumenta que os principais prejudicados serão os produtores vinculados à agricultura familiar.

O presidente da Fetag, Elton Weber, disse que os prejuízos para os produtores vão desde atraso no plantio por falta de crédito até o risco de gastos maiores na compra de fertilizantes e juros extras, caso seja preciso fazer empréstimo nas cooperativas. "É uma decisão que vai tirar a autonomia dos produtores gaúchos", afirma.

O assessor de Política Agrícola da Fetag, Airton Hochscheid, lembra que os produtores já foram prejudicados com a transferência da unidade relativa à análise de Proagro para a capital paranaense e que, com a nova transferência, a situação tende a piorar.

A centralização, segundo o representante do SindBancários, se deve a um processo de contenção de custos por parte do Banco do Brasil e também pode significar uma estratégia política de beneficiar o estado do Paraná. "É inadmissível que o Rio Grande do Sul, celeiro do Brasil, fique desprovido de um CSO. E preciso lembrar que 25% dos processos de Pronaf são direcionados para cá", ponderou.

A preocupação do sindicato se refere ainda à situação dos 150 funcionários que trabalham no CSO da Capital e que serão realocados em outras unidades do banco. Conforme a assessoria de imprensa do Banco do Brasil, a mudança é resultado de um estudo que identificou a necessidade de centralizar as unidades para "melhorar o fluxo das operações".

A assessoria assegurou que o tempo para encaminhamento dos processos de crédito não será alongado, se mantendo na média de três dias. "A medida já foi adotada em outras capitais e não notamos alteração nos processos, que se mantiveram dentro do prazo médio." A assessoria destacou ainda que a medida nada tem a ver com questões políticas, mas apenas, com demandas estruturais.

Fonte: Seeb Porto Alegre com Jornal do Comércio