O presidente da Nossa Caixa, Demian Fiocca, disse nesta quarta, 19 de agosto, que o banco pretende desembolsar R$ 200 milhões por meio das linhas de crédito BNDES PSI, BNDES PSI Agrícola, Cartão BNDES e PEC-BNDES até 31 de dezembro deste ano. "Porém, se começarmos a chegar perto desse limite, teremos condições de alocar um valor maior", afirmou. Segundo ele, o início das operações da Nossa Caixa com linhas do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) faz parte de uma nova estratégia do banco de atender empresas.

"A Nossa Caixa tinha uma abordagem muito centrada em pessoas físicas, principalmente em servidores do Estado de São Paulo. São bons clientes, que atendemos bem e queremos preservar e ampliar. Mas, tendo uma estrutura de rede como temos, em todos os municípios do Estado de São Paulo, vemos uma oportunidade de aproveitar bem mais o potencial de emprestar também para empresas", disse. "É uma estratégia bancária consistente em um cenário de queda de juros e que reforça o papel social de criar renda e empregos, que é o que a sociedade espera de um banco público", completou.

Fiocca evitou endossar a crítica que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez a bancos privados. "O ministro da Fazenda tem por dever buscar o melhor desempenho da economia em seu conjunto e acho que, nesse sentido, ele gostaria que os bancos privados retomassem o crescimento do crédito, a exemplo dos bancos públicos", afirmou.

Segundo ele, isso deve ocorrer porque a economia brasileira está dando sinais de recuperação nos últimos meses, o que deve resultar na ampliação da oferta de crédito. Questionado sobre se os bancos privados seriam obrigados a acompanhar a "lição" que os bancos públicos têm feito – de ampliar a oferta de crédito, como tem dito Mantega -, Fiocca evitou a polêmica. "Eu preferia me expressar nas palavras que já usei. Mas, se eu puder arriscar um palpite, acredito que no próximo lançamento de resultado trimestral nós vamos ver os bancos privados também crescendo", afirmou.

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Aubert Neto, disse que mantém a recomendação feita a seus associados de que abram contas em bancos públicos para ter acesso às linhas do BNDES. Ele afirmou que as críticas que Mantega tem feito são as mesmas que a entidade faz há anos.

"Os bancos privados têm dificuldade de liberar as linhas do BNDES, ao contrário dos bancos públicos, que têm uma orientação presidencial. E temos visto, pelos balanços, que os bancos públicos estão saindo na frente. É uma coisa natural que orientemos nossos associados que tenham contas nesses bancos", reiterou. "Mas acredito que os bancos privados não vão querer ficar para trás. É uma questão de tempo."

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, disse que os desembolsos da linha Finame para máquinas e equipamentos devem chegar a R$ 26 bilhões até o fim deste ano. "Temos uma expectativa muito boa para o segundo semestre em termos de recuperação de vendas de máquinas", afirmou. Segundo ele, apenas nesta semana a instituição aprovou quase US$ 1 bilhão para a exportação de bens de capital pela linha BNDES Exim pré-embarque.

Coutinho destacou, porém, que as linhas de financiamento para máquinas e equipamentos com juros fixados em 4,5% ao ano terminam no dia 31 de dezembro e não serão renovadas. "Elas correspondem a um esforço grande do Tesouro em um momento difícil para o setor", afirmou. A expectativa dele é de que o País volte a crescer a taxas entre 4,5% e 5% ao ano em 2010 e 2011, o que deve reativar decisões generalizadas de investimentos do setor privado e trazer liquidez para o setor. "Isso deve ocorrer em um contexto em que as taxas de juros em geral já estão mais baixas e não precisarão ser subsidiadas e apoiadas, como agora são. A expectativa é de que seja um esforço transitório no que diz respeito aos financiamentos."

Fonte: Agência Estado / Anne Warth