O Itaú Unibanco revisou para cima a expectativa de aumento das operações de crédito neste ano, anunciou ontem o presidente do banco, Roberto Setubal, em apresentação a analistas da Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec), realizada em São Paulo. Animado pela expectativa de recuperação da economia brasileira, o Itaú Unibanco informou estar esperando agora o aumento de 12% a 18% nas operações de crédito deste ano com pessoas físicas e pequenas e médias empresas. Anteriormente, o banco esperava um aumento de 10% a 15% nessas operações.

A decisão do Itaú Unibanco é contrária à do Bradesco, que, no início de agosto, revisou para baixo a previsão de crescimento da carteira de crédito de 13% a 17% para 8% a 12%. O Bradesco reduziu a previsão de expansão neste ano das operações com pessoas físicas de 11% a 15% para 9% a 12%; e as com pequenas e médias empresas, de 15% a 19% para 9% a 13%.

No segundo trimestre, o crescimento das operações de varejo do Itaú foi no ritmo de 12,6% anualizados, acima dos 9% também anualizados no primeiro trimestre. No trimestre, a carteira de pequenas empresas cresceu 5% no trimestre e 28,5% em doze meses.

"No total o crescimento só foi negativo por causa da operações em dólar das grandes empresas", que diminuiu por causa do impacto do câmbio e pela volta das operações no mercado de capitais.

Setubal justificou as novas previsões à recuperação da economia brasileira e perspectiva de redução da inadimplência. Segundo a área econômica do banco, o Produto Interno Bruto (PIB) vai sair de uma queda de 0,7% neste ano para um crescimento de 4,3% no próximo. "O pior já passou", disse Setubal.

O banqueiro também argumentou que o Itaú Unibanco aumentou sua participação no mercado de crédito. "Sem querer polemizar, continuamos dando crédito e até ampliamos nossa participação no mercado. Os bancos médios e os estrangeiros é que perderam mercado", afirmou. Considerando apenas as operações com recursos livres, o Itaú Unibanco calculou em 24% sua participação no mercado de crédito em comparação com 23,6% em dezembro de 2007. Com base em dados do Banco Central (BC) a respeito do total de operações de crédito, o Valor calculou em 18,35% a fatia do Itaú Unibanco em comparação com 14,13% no fim de 2008.

Setubal destacou também o aumento da importância dos negócios de seguros, previdência e capitalização, que tiveram lucro líquido de R$ 617 milhões no primeiro semestre, enquanto o resultado global do banco foi de R$ 4,9 bilhões. O banco afirma deter uma participação de 19,8% desse mercado, excluindo seguro saúde.

O Itaú Unibanco não descarta aquisições para crescer nesta área em que o Bradesco é um dos maiores – cerca de um terço dos resultados do banco vem dessas operações – e o Banco do Brasil (BB) pretende crescer.

Setubal também destacou aos analistas a posição do banco no Mercosul, em operações na Argentina, Chile, Paraguai e Uruguai, totalizando R$ 18,9 bilhões em ativos. Segundo o presidente do conselho de administração do Itaú Unibanco, Pedro Moreira Salles, esse é o "embrião" da expansão internacional do banco, que deverá se dar basicamente por aquisições.

No momento, porém, o banco prefere concentrar-se na integração. Nesta semana, começou a operação piloto em cinco agências, que deve se estender ao restante da rede até o fim do ano. A conclusão desse trabalho está prevista para o fim de 2010.

Fonte: Valor Econômico / Maria Christina Carvalho, de São Paulo