Crédito: Carla Ruas – Correio do Povo
Carla Ruas - Correio do Povo Integrantes de movimentos sociais e urbanos realizaram na sexta-feira, dia 21, um ato público para denunciar a morte do trabalhador Elton Brum da Silva. O sem terra foi assassinado pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, em uma ação de despejo, na fazenda Southall, em São Gabriel.

O ato, que aconteceu na Esquina Democrática, no centro de Porto Alegre, denunciou a violência e criminalização contra os movimentos sociais. Estiveram presentes trabalhadores rurais e urbanos, estudantes e parlamentares.

Laudo aponta que o trabalhador foi assassinado à queima roupa com um tiro de espingarda pelas costas.

Protesto em São Gabriel

No sábado, dia 22, pela manhã, após o velório de Elton Brum da Silva, os sem terra caminharam da capela 3 da Santa Casa de São Gabriel até a praça principal em sinal de protesto.

Novas manifestações

Na próxima quinta-feira, dia 27, o MST marchará, durante o dia, de São Gabriel até o local onde o companheiro Elton Brum foi assassinado pela Brigada Militar, na fazenda Southall.

Na mesma quinta-feira, em Porto Alegre, haverá uma manifestação às 17h, que começará em frente à Assembléia Legislativa, passando pelo Palácio Piratini, Ministério Público Estadual e Tribunal de Justiça.

Veja a nota do MST:

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra vem a público manifestar novamente seu pesar pela perda do companheiro Elton Brum, manifestar sua solidariedade à família e para:

1. Denunciar mais uma ação truculenta e violenta da Brigada Militar do Rio Grande do Sul que resultou no assassinato do agricultor Elton Brum, 44 anos, pai de dois filhos, natural de Canguçu, durante o despejo da ocupação da Fazenda Southall em São Gabriel. As informações sobre o despejo apontam que Brum foi assassinado quando a situação já encontrava-se controlada e sem resistência. Há indícios de que tenha sido assassinado pelas costas.

2. Denunciar que além da morte do trabalhador sem terra, a ação resultou ainda em dezenas de feridos, incluindo mulheres e crianças, com ferimentos de estilhaços, espadas e mordidas de cães.

3. Denunciamos a Governadora Yeda Crusius, hierarquicamente comandante da Brigada Militar, responsável por uma política de criminalização dos movimentos sociais e de violência contra os trabalhadores urbanos e rurais. O uso de armas de fogo no tratamento dos movimentos sociais revela que a violência é parte da política deste Estado. A criminalização não é uma exceção, mas regra e necessidade de um governo, impopular e a serviço de interesses obscuros, para manter-se no poder pela força.

4. Denunciamos o Coronel Lauro Binsfield, Comandante da Brigada Militar, cujo histórico inclui outras ações de descontrole, truculência e violência contra os trabalhadores, como no 8 de março de 2008, quando repetiu os mesmos métodos contra as mulheres da Via Campesina.

5. Denunciamos o Poder Judiciário que impediu a desapropriação e a emissão de posse da Fazenda Antoniasi, onde Elton Brum seria assentado. Sua vida teria sido poupada se o Poder Judiciário estivesse a serviço da Constituição Federal e não de interesses oligárquicos locais.

6. Denunciamos o Ministério Público Estadual de São Gabriel que se omitiu quando as famílias assentadas exigiam a liberação de recursos já disponíveis para a construção da escola de 350 famílias, que agora perderão o ano letivo, e para a saúde, que já custou a vida de três crianças. O mesmo MPE se omitiu no momento da ação, diante da violência a qual foi testemunha no local. E agora vem público elogiar ação da Brigada Militar como profissional.

7. Relembrar à sociedade brasileira que os movimentos sociais do campo tem denunciado há mais de um ano a política de criminalização do Governo Yeda Crusius à Comissão de Direitos Humanos do Senado, à Secretaria Especial de Direitos Humanos, à Ouvidoria Agrária e à Organização dos Estados Americanos. A omissão das autoridades e o desrespeito da Governadora à qualquer instituição e a democracia resultaram hoje em uma vítima fatal.

8. Reafirmar que seguiremos exigindo o assentamento de todas as famílias acampadas no Rio Grande do Sul e as condições de infra-estrutura para a implantação dos assentamentos de São Gabriel.

Exigimos Justiça e Punição aos Culpados!

Por nossos mortos, nem um minuto de silêncio. Toda uma vida de luta!

Reforma Agrária, por justiça social e soberania popular!

Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra

Fonte: MST e CUT-RS