A segunda pesquisa da Contraf-CUT e Dieese sobre o emprego nos bancos, divulgada nesta terça-feira, dia 25, em São Paulo, foi destaque na imprensa brasileira. O fechamento de 2.224 postos de trabalho no primeiro semestre de 2009, ocasionado principalmente pelas fusões Itaú Unibanco e Santander Real, repercutiu em vários sites, como a Agência Brasil.

Veja a íntegra da reportagem:

Fusões provocam desemprego em bancos, segundo Dieese

Daniel Mello
Repórter da Agência Brasil

Os processos de fusão de grandes bancos privados ocorridos no ano passado continuam repercutindo negativamente no mercado de trabalho do sistema bancário. Segundo o Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos (Dieese), o fechamento de 2.224 postos de trabalho em bancos no primeiro semestre está ligado as adequações administrativas realizadas no Itaú-Unibanco e no Santarder-Banco Real.

De janeiro a junho foram demitidos 15.459 bancários e contratados 13.235. Cerca de 80% do saldo negativo, 1.925 postos, estão concentrados no estado de São Paulo, sede da maioria das instituições financeiras privadas.Os dados constam em pesquisa divulgada hoje (25) pelo Dieese.

"Os bancos [que realizaram fusão] estão unificando a parte de trabalho interno", explicou o secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), Marcel Barros. De acordo com ele, as demissões atingem principalmente a área administrativa, que concentra os maiores salários. O estudo aponta que os demitidos no primeiro semestre recebiem em média R$ 3.627, enquanto os contratados ganham em média R$1.928.

A tendência, segundo Barros, é que o processo de redução dos quadros chegue às agências em breve. Nesse processo pode haver tanto o fechamento de pontos de atendimento quanto a diminuição da infraestrutura existente.

Esse processo, somado a alta rotatividade no setor, atinge a qualidade dos serviços prestados, na avaliação do diretor-geral da Contraf. De acordo com Barros, as constantes demissões e contratações para redução de custos acabam fazendo com que os atendentes sejam despreparados.

Barros estima que o fechamento de vagas no sistema bancário continue por um período de oito meses a um ano, quando deverá ser concluído os processos de fusão em andamento.

Ele ressaltou ainda que a manutenção dos empregos será um dos principais itens da pauta da campanha salarial deste ano, que começará a ser negociada na próxima quinta-feira (27).

Fonte: Contraf-CUT com Agência Brasil