Os mercados de títulos de dívida receberam um significativo impulso de confiança ontem, quando o Santander, maior banco da Espanha, lançou um programa para recomprar títulos securitizados no valor nominal de ? 16,5 bilhões (equivalente a US$ 23,6 bilhões).

O negócio, que seria o maior do gênero, deverá ajudar a estabilizar alguns mercados de dívidas por meio da fixação de um piso para valores mobiliários, que geralmente são difíceis de avaliar.

O banco disse em comunicado ao órgão regulador que a oferta cobria 27 emissões diferentes de títulos lastreados em financiamento imobiliário, créditos a pessoas físicas e empréstimos para pessoas jurídicas.

O acordo acontece à medida que o Santander, em acordo separado, se articula para substituir mais de 30 títulos de dívida diferentes com duas novas emissões. Nos dois casos, a meta é lucrar com sistemas de preços desvalorizados nos mercados secundários.

"Elas [as ofertas] poderão ter um impacto sobre os mercados de securitização, ao voltarem a reciclar dinheiro vivo aos investidores, mas também ajudam a estabelecer um piso de preços para estes produtos, que os investidores se empenharam em estabelecer durante crise financeira", disse Phil Adams, estrategista de securitização europeia do Royal Bank of Scotland.

Apesar de oferecer apenas 61% do valor de face em alguns títulos de dívida na proposta mais recente, o Santander teria oferecido alguns pontos acima dos valores de mercado atuais, tornando a oferta atraente aos investidores institucionais, que estão sob pressão para marcarem seus ativos a [preços de] mercado.

O mercado vem se reabrindo lentamente para os bancos venderem títulos para ajudar a prover recursos para a sua base de capital.

O Deutsche Bank iniciou ontem um processo para vender?300 milhões a ? 500 milhões em títulos de dívida subordinada do tipo "Tier 1" destinados a investidores de varejo, numa oferta monitorada de perto que também poderá ajudar a restabelecer a confiança nos mercados de dívida.

Analistas disseram que a oferta do Santander refletiu a confiança do banco de que no futuro seus clientes possam restituir grande parte dos empréstimos subjacentes.

O Santander espera contabilizar lucros com o negócio, que ele colocará de lado na forma de provisões contra créditos irrecuperáveis.

Fonte: Financial Times / Mark Mulligan e Anousha Sakoui, de Madri e de Londres