A diretoria da Nossa Caixa esteve reunida com representantes dos bancários na terça-feira, dia 25, na sede do Sindicato dos Bancários de São Paulo. Durante o encontro, na qual foi detalhado o balanço do banco, os dirigentes sindicais destacaram para a Nossa Caixa que, apesar do prejuízo registrado pela instituição, os funcionários têm trabalhado muito e querem o retorno desse esforço por meio da participação nos lucros e resultados (PLR) e da gratificação variável.

Para a diretora do Sindicato Raquel Kacelnikas, o prejuízo líquido de R$ 139,6 milhões registrado pela Nossa Caixa no segundo trimestre deste ano é fruto da péssima gestão das últimas diretorias nomeadas pelo Governo do Estado de São Paulo. "O banco passou por um processo de sucateamento antes de ser vendido e ainda há uma mudança de metodologia contábil promovida pelo Banco do Brasil que reduziu o resultado da Nossa Caixa. Ou seja, esse prejuízo nada tem a ver com os bancários. Pelo contrário, o balanço divulgado deixa claro que os funcionários têm trabalhado muito, principalmente na concessão de crédito", afirma.

Raquel destaca que uma das principais reivindicações dos bancários este ano é a valorização da PLR, que está sendo negociada na mesa geral de discussões com a federação dos bancos (Fenaban). Além disso, os bancários da Nossa Caixa querem garantir a gratificação variável por intermédio das negociações específicas com a diretoria da instituição.

"Essa verba era a nossa antiga licença-prêmio e não tem ligação alguma com as metas ou com as vendas do dia-a-dia. Vamos pressionar a Fenaban e a direção da Nossa Caixa, porque precisamos garantir uma PLR e uma gratificação variável que realmente valorizem todo o esforço que os bancários têm feito nas agências e departamentos do banco. Além do mais, a situação da Nossa Caixa só não ficou pior nos últimos anos graças ao trabalho dos bancários, que não vão pagar agora pelos erros das antigas diretorias do banco", ressalta.

Esforço dos bancários

Segundo o balanço, o desempenho da Nossa Caixa só não foi pior no último trimestre graças à carteira de empréstimos, que cresceu 23,3%, atingindo R$ 17 bilhões. Em 12 meses, a alta foi de 61%. "Esse é o dado mais positivo do balanço e é fruto direto do trabalho dos bancários. Se não fossem os funcionários, o Banco do Brasil encontraria muito mais dificuldades para incorporar a Nossa Caixa. Coincidência ou não, esta incorporação está em andamento em plena Campanha Nacional dos Bancários e vamos aproveitar o momento e a mobilização para discutir nossas reivindicações e pressionar o BB para que avance nas questões urgentes do funcionalismo. Os trabalhadores também devem ficar atentos e participar das atividades que serão propostas pelo Sindicato", afirma Raquel.

Negociação

No próximo dia 3 de setembro, o Sindicato e o Banco do Brasil voltam a se reunir para as negociações da mesa temática que debate a incorporação da Nossa Caixa. Os bancários têm uma série de reivindicações e o objetivo do Sindicato é construir soluções conjuntas com o banco para as demandas.

"Esperamos que o BB compareça aos debates com informações e que já tenha previamente discutido o tema com os incorporadores do banco. Precisamos avançar, mas para isso temos de aprofundar os debates para, enfim, construirmos uma proposta concreta para a situação dos bancários pós-incorporação", finaliza Raquel.

Fonte: Seeb São Paulo