A Comissão de negociação, composta por representantes da Contraf-CUT, Fetec/SP, Sindicato dos Bancários de São Paulo, Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro e mais quatro federações, reuniram-se nesta quarta-feira, 26, com a Fenacrefi na segunda rodada de negociação da campanha salarial dos financiário 2009. O encontro ocorreu na sede da confederação, em São Paulo.

Os trabalhadores discutiram a cláusula de abrangência da minuta, cobrando a aplicação da convenção para todos os trabalhadores que estão na atividade como financiários, mas não são reconhecidos. "Reafirmamos a necessidade de enquadramento sindical correto destes trabalhadores como financiários", afirma Miguel Pereira, secretário de Organização do Ramo financeiro da Contraf-CUT.

Por conta desse debate, representantes dos trabalhadores e das empresas entraram também nas questões de terceirização e correspondentes bancários. Os negociadores do setor patronal reconhece que a terceirização tem gerado problemas, mas afirmaram que não tinham autonomia para avançar neste debate neste momento. Outro fator alegado pelos patrões é que estas novas formas de organização ainda não estão consolidadas, o que dificulta o debate.

Também foi debatido na mesa de negociação o tema do assédio moral/violência organizacional. Os representantes das empresas reconhecem ser este um problema e avaliam que temos condições de convencionar já neste ano uma cláusula de combate a esses problemas que afetam os trabalhadores. Os negociadores das financeiras se comprometeram a trazer na próxima negociação uma sugestão de redação para a cláusula.

Os patrões encaminharam documento para debate futuro reivindicando a alteração da redação das cláusulas sobre auxílio-creche e auxílio-babá, vale transporte e estabilidade provisórias de emprego – pré-aposentadoria, nos moldes dos debates com a Fenaban.

Ainda no debate da abrangência, os dirigentes sindicais procuraram explicitar todos os riscos que o setor econômico corre em razão da fragilidade das normas atuais. O correspondente bancário funciona por meio de resoluções do banco Central, contrariando a nosso ver a própria competência da autoridade monetária e leis trabalhistas, o que tem acarretado várias ações judiciais tanto por parte do Ministério Público do Trabalho (MPT) quanto de trabalhadores individuais.

A questão da terceirização voltou ao debate dos financiários. "O tema está na ordem do dia, com debates para regulamentação da questão para conter as fraudes que este procedimento tem gerado por ser trata de intermediação ilegal de mão de obra", afirma Miguel.

Mobilização – A Contraf-CUT irá elaborar um jornal nacional que será disponibilizado eletronicamente para os trabalhadores e orienta todos os sindicatos do país a realizarem no dia 11 de setembro um Dia Nacional de Lutas dos financiários, particularmente com o tema da abrangência. "Queremos incluir quem está fora da convenção coletiva da categoria", afirma Miguel.

A próxima negociação que também conta na comissão com a Fetec/CN, Feeb RJ/ES, Fetec/PR e Feeb SP/MS ficou agendada para o dia 11, às 10h30, na sede da Fenacrefi, em São Paulo.

O encontro terá como tema cláusulas de emprego, jornada de trabalho e saúde e condições de trabalho. As cláusulas econômicas ficarão para rodadas futuras.

Fonte: Contraf-CUT