Terminou em impasse a negociação específica entre os bancários e o Itaú Unibanco, realizada nesta quarta-feira, dia 26, em São Paulo. Apesar das entidades sindicais, o banco disse que não vai aumentar o valor do Programa Complementar de Remuneração (PCR), estabelecido pela empresa em R$ 1.100 na reunião do último dia 11. Os dirigentes sindicais rejeitaram a proposta do banco e disseram que os funcionários não aceitarão um PCR menor que o do ano passado.

Segundo o coordenador da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Itaú Unibanco, Jair Alves, a proposta não é só insuficiente como inferior ao ano passado, quando o banco pagou R$ 1.800 para os funcionários do Itaú. "É positivo estender a PCR também para os bancários do Unibanco, mas o banco não pode repartir o mesmo bolo de 2008 entre todos e rebaixar o valor pago. Quem trabalha diariamente para garantir o crescimento do banco merece uma remuneração compatível", destaca.

"Esse valor é inadmissível. Temos de ter a possibilidade de receber um PCR igual ou maior que o do ano passado. Conquistamos o nosso PCR em 2003 e a cada ano os funcionários conseguiram melhorá-lo sistematicamente. Não vamos aceitar este retrocesso agora, até porque o lucro do banco continua crescendo e a fusão entre o Itaú e o Unibanco só trará ganhos para a empresa", destaca o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Luiz Cláudio Marcolino.

O dirigente lembra que a melhora no PCR do ano passado só foi garantida graças à mobilização da categoria na campanha nacional, que encampou uma greve de 15 dias. "Agora não será diferente. Vamos ter de pressionar novamente o banco, por meio das manifestações que o Sindicato vai propor aos bancários, e também na mesa de negociações. Nunca conseguimos nada de graça, todas as conquistas vieram depois de muita luta e é assim que vamos garantir a valorização do PCR este ano", ressalta Marcolino.

O impasse na mesa de negociações, segundo o presidente do Sindicato, pode inviabilizar a antecipação de R$ 500 do PCR anunciado pelo Itaú Unibanco para o início de setembro. "Vamos voltar a negociar com o banco para tentarmos superar o impasse e encontrarmos uma solução negociada para o PCR. Aliás, esse tema dominou as negociações desta quarta e não pudemos nem mesmo avançar nas outras questões que estavam em pauta, como as unificações do convênio médico e das funções. Precisamos solucionar o PCR o quanto antes porque temos uma longa lista de reivindicações para discutir com o banco nesta Campanha Nacional", afirma.

Veja a evolução do PCR desde a sua criação:

Ano PCR
2003 – R$ 500
2004 – R$ 800
2005 – R$ 850
2006 – R$ 1.200
2007 – R$ 1.500
2008 – R$ 1.800

Fonte: Contraf-CUT com Seeb São Paulo