Banco do Brasil, Itaú Unibanco e Bradesco, na ordem os três maiores bancos brasileiros, falaram ontem em estratégias diferentes para crescer no mesmo mercado. O BB apresentou sua entrada no varejo americano, com negócio de remessa de dinheiro de estrangeiros que moram nos EUA. Já o Bradesco aposta no crescimento orgânico, e o Itaú prefere parcerias estratégicas, como as fechadas com a Porto Seguro e o Pão de Açúcar.

Acompanhado na plateia pelo presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco Cappi, o presidente do Itaú Unibanco, Roberto Setubal, discorreu para estudantes de administração da FGV sobre o desapego habitual do banco na hora de fechar parcerias estratégicas com concorrentes, como a fusão na área de seguro de veículos com a Porto Seguro.

Na parceria com a Porto Seguro, o Itaú cedeu sua própria carteira de clientes e ficou com uma participação minoritária na seguradora. Já o Bradesco perdeu o negócio por insistir em ter uma participação compartilhada na gestão da empresa.

"As principais transações que fizemos nos últimos dez anos foram todas em parceria. Na fusão com o Unibanco, muita gente se surpreendeu em ver que o Itaú, que era muito maior que o Unibanco, topou fazer um negocio fifty-fifty [50% cada]."

Segundo o presidente do Itaú, a primeira transação do tipo foi a compra do banco de investimento BBA, em 2002. Na época, o banco acabou ficando com 95% do capital, mas deixou no comando o antigo presidente do BBA, Fernão Bracher.

Questionado sobre o negócio com a Porto Seguro, Trabuco disse que não iria mais comentar o assunto. O banco sustenta que a área de seguro é muito importante para ter uma participação secundária. Para Trabuco, não ha necessidade de o Bradesco disputar novas aquisições neste momento.

"O Bradesco tem escala suficiente para competir nesse mercado com os concorrentes. Nós vamos continuar fazendo mais do mesmo. Somos um banco brasileiro por excelência, presente em 93% dos municípios. Temos capilaridade de distribuição e vamos continuar crescendo organicamente", disse.

Fonte: Folha de São Paulo / Toni Sciarretta