Crédito: Agnaldo Azevedo/Contraf-CUT
Agnaldo Azevedo/Contraf-CUT O Comando Nacional dos Bancários esteve reunido nesta sexta-feira, 11, com os representantes do Banco do Brasil para mais uma rodada das negociações específicas, em Brasília. Estavam na mesa de negociação as cláusulas sociais e sindicais do acordo específico dos funcionários do BB.

A cláusula de maior destaque em debate acabou sendo fonte de frustração para os trabalhadores: o Banco do Brasil alegou não ter autorização do Dest (Departamento de Coordenação e Controle das Empresas Estatais) para discutir a criação de um novo Plano de Carreira, Cargos e Salários (PCCS). O banco informou ainda que admite discutir outros pontos, como a carreira de mérito.

"O banco se engana se acredita que esse assunto será deixado de lado tão facilmente. Outras instituições já fizeram esse debate e conseguiram modificar seus planos de carreira. Os funcionários do BB não admitirão que essa resposta do banco seja final e irão para as ruas pressionar o banco e o governo para modificar essa posição", afirma Marcel Barros, secretário-geral da Contraf-CUT e coordenador da Comissão de Empresa dos funcionários do banco (CEBB).

Comunicação

Os trabalhadores começaram a negociação protestando junto ao banco com relação às informações desencontradas apresentadas pelo banco a respeito da mudança da lateralidade nas agências com até sete funcionários, anunciada pela empresa na última negociação, ocorrida no dia 1 de setembro (veja mais aqui). Na ocasião, o banco informou aos representantes dos trabalhadores que qualquer bancário poderia ser nomeado substituo dos funcionários ausentes, inclusive os lotados na mesma agência. Mais tarde, a empresa divulgou comunicado interno retificando a informação e dizendo que os bancários da mesma agência não poderiam ser substitutos.

Diante do protesto dos bancários, a empresa alegou falha na comunicação entre as partes, dizendo que a proposta do banco realmente impede que funcionários da mesma agência sejam nomeados. Para o movimento sindical, tanto o erro da empresa quanto a proposta não se justificam. "Em nosso entender, qualquer trabalhador tem capacidade e deveria receber pela substituição, mesmo os lotados no mesmo local de trabalho", afirma Marcel Barros.

Equidade

Na continuidade da negociação, o banco concordou em renovar com o mesmo texto algumas cláusulas do aditivo atual, como: adiantamento do 13º salário; ausências remuneradas e permitidas; indenização por morte; movimentação de pessoal; anualização da licença-prêmio; escala de férias, entre outras.

O banco afirmou também ter permissão para apresentar propostas que contemplem a questão da equidade de gênero. Além disso, reforçou que pretende apresentar proposta para a criação de comitês de ética para combater o assedio moral na empresa.

Outro ponto apresentado pelos trabalhadores foi a situação da licença-adoção para casais homoafetivos. O banco informou que tem disposição em avançar nessa cláusula.

Também com relação a trabalhadores que foram vítimas de assalto ou sequestro, o banco concorda em garantir adiantamentos para as pessoas que tenham que ficar fora de sua residência ou cidade por conta dos efeitos da ocorrência.

Uma nova rodada de negociação ficou marcada para o próximo dia 18, sexta-feira que vem. "Esperamos que o banco apresente uma proposta global sobre os temas debatidos até o momento", conclui Marcel.

Fonte: Contraf-CUT