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negociacao_17092009.jpgBanqueiros fazem proposta sem aumento real e com PLR menor que a do ano passado, exatamente o oposto do que os bancários reivindicam – (São Paulo) A tal proposta global que os banqueiros se comprometeram a apresentar na rodada de negociação de quinta 17 não surpreendeu ninguém. Apesar de saberem desde 10 de agosto que os bancários querem aumento real de salários, PLR maior, valorização dos pisos, respeito aos empregos, os negociadores da federação dos bancos (Fenaban) trouxeram uma proposta que não contempla nada disso.

“Pelo sexto ano seguido os banqueiros estão forçando os trabalhadores a fazerem greve”, afirma o presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino. “É incrível que ano após ano eles desrespeitem as justas reivindicações de seus funcionários, restando à categoria parar para conquistar mais.”

O Comando Nacional dos Bancários enviará documento à Fenaban fundamentando todos os problemas contidos na proposta apresentada aos trabalhadores. Os dirigentes sindicais solicitarão ainda que seja marcada nova negociação até o dia 23 de setembro para que os representantes das instituições financeiras apresentem nova proposta contemplando as reivindicações da categoria. Também no dia 23 os sindicatos de todo o país realizarão assembleias para deflagrar greve por tempo indeterminado, caso as reivindicações não sejam atendidas, a partir do dia 24.

Aumento – O reajuste proposto pela Fenaban, de 4,5% para salários, tíquetes e cesta-alimentação e outros direitos como auxílio-creche e pisos, repõe somente a inflação do período, ou seja, congelaria o poder de compra dos bancários. Os banqueiros alegam que “esse ano está muito difícil, não é um bom momento para dar aumento real”.

Marcolino rebate: “Eles podem e devem pagar. Já dissemos aos banqueiros que essa proposta está rejeitada, os trabalhadores deixaram claro em todas as consultas pelo país que querem aumento real e sem isso não dá pra fechar a campanha”.

PLR – A Fenaban apresentou um novo modelo de PLR, mais simples, mas totalmente rebaixado. Pela proposta, os banqueiros querem pagar 1,5 salário para todos os trabalhadores, limitado a R$ 10 mil e a 4% do lucro líquido do banco, o que acontecer primeiro, mais valor adicional de 1,5% do lucro líquido, com teto de R$ 1.500. “Essa proposta é inconcebível, absurda. Os banqueiros parecem estar brincando com os trabalhadores. Simplificaram a proposta, como os bancários querem, mas rebaixaram totalmente os valores, de forma a pagar menos que no ano passado”, diz Marcolino. “Ou seja, é uma simplificação em que todo mundo perde.”

O presidente do Sindicato explica: hoje os bancários já têm 90% do salário mais R$ 966 limitado a 15% do lucro líquido. Na média, isso dá em torno de 1,8 a 1,4 salário. O teto, com a proposta dos banqueiros, sai dos atuais 15% para 4%. Além disso, propõe um adicional de até R$ 1.500, quando atualmente os bancários podem receber até R$ 1.980. E ainda pioram, já que no formato atual, o adicional não é descontado dos programas próprios e os banqueiros querem descontar tudo com a nova proposta.

Pisos – A proposta da federação dos bancos não prevê valorização dos pisos. Mantêm o mesmo reajuste de 4,5% sugerido para os salários. Para os banqueiros, os pisos já foram suficientemente valorizados em outros anos e por isso não apresentaram sequer uma proposta para essa reivindicação.

Proposta da Fenaban
Índice de
Reajuste
4,5%
PLR
1,5 salário reajustado até RS 10 mil limitado a 4% do
lucro líquido de 2009, mais 1,5 % do lucro líquido distribuído linearmente limitado a R$ 1.500
Verbas
(R$)
Tíquete-refeição 16,63
Cesta-alimentação 285,21
13ª Cesta-alimentação 285,21
Auxílio-creche/babá* 205,00
Pisos (R$)
(Após 90 dias de empresa)

Portaria 738,00
Escritório 1.059,25
Caixa** 1.480,24

*Proposta é que seja pago por 71 meses, atualmente na convenção coletiva esse auxílio é pago por 83 meses
**Já incluso a gratificação de caixa e outras verbas

Fonte: Seeb São Paulo / Cláudia Motta