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interdito_nao.jpgA Contraf-CUT solicitou nesta terça-feira, dia 22, uma audiência ao ministro da Justiça, Tarso Genro, para denunciar as iniciativas dos bancos para reprimir a greve nacional dos bancários. "Queremos apresentar as preocupações da categoria diante das medidas autoritárias que vêm sendo tomadas pelos bancos para reprimir o exercício do direito constitucional de greve dos trabalhadores", afirma o presidente da Confederação e coordenador do Comando Nacional dos Bancários, Carlos Cordeiro.

Na carta enviada para Tarso, os bancários apontam que, "antes mesmo de fazer uma proposta rebaixada aos trabalhadores, vários bancos já ingressaram com ações judiciais, buscando novamente o interdito proibitório, a exemplo de anos anteriores". Também a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e a Polícia Militar de São Paulo promoveram uma reunião secreta, onde os bancos e os policiais discutiram a montagem de um esquema de "ação conjunta" para reprimir a greve dos bancários.

"Queremos debater medidas efetivas e soluções que garantam o direito constitucional de greve dos trabalhadores, pois essa repressão descabida, além de ilegal, pode ocasionar violência. Além do mais, a função da polícia é trabalhar na segurança da cidadania, e não em defesa de interesses particulares, como é o caso dos bancos", ressalta Carlos Cordeiro.

Veja a íntegra da carta ao ministro:

São Paulo, 22 de setembro de 2009.

Ao
Ministério da Justiça
Att. do Dr. Tarso Genro
Brasília – DF

Excelentíssimo Senhor Ministro:

Ref.: Repressão da iminente greve nacional dos bancários.

Ao saudarmos Vossa Excelência, vimos solicitar-lhe a marcação de uma audiência, dentro do menor prazo possível, para que possamos apresentar as preocupações dos bancários diante das medidas autoritárias que vêm sendo tomadas pelos bancos para reprimir o exercício do direito constitucional de greve dos trabalhadores.

Com data-base em 1º de setembro, os bancários estão em campanha nacional. A minuta de reivindicações foi entregue no dia 10 de agosto para a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) e, após cinco rodadas de negociações, foi apresentada no dia 17 de setembro uma proposta insuficiente ao Comando Nacional dos Bancários.

Os bancos ofereceram reajuste de 4,5%, o que só repõe a inflação do período, e Participação nos Lucros e Resultados (PLR) menor do que no ano passado. Não há valorização dos pisos salariais, nenhuma proteção aos empregos diante dos processos de fusões em andamento e nada de melhoria nas condições de saúde, segurança e trabalho. Uma proposta que não atende às expectativas dos bancários, principais responsáveis pelos lucros gigantescos de R$ 19,3 bilhões no primeiro semestre deste ano, segundo dados do Banco Central. Desta forma os bancos, que não foram afetados pela crise mundial, empurram os bancários para a greve.

Antes mesmo de fazer essa proposta rebaixada, vários bancos já ingressaram com ações judiciais, buscando novamente o interdito proibitório, a exemplo de anos anteriores. O Santander obteve despacho favorável na 63ª Vara do Trabalho de São Paulo, pelo qual o sindicato terá de pagar R$ 90 mil para cada unidade do grupo espanhol em que houver manifestação. O banco também está autorizado a usar a polícia para conter os bancários. Foram igualmente concedidos interditos ao banco espanhol em Pelotas e Rio Grande.

Também a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e a Polícia Militar de São Paulo promoveram uma reunião secreta no último dia 11. Na ocasião, os bancos e os policiais discutiram a montagem de um esquema de "ação conjunta" para reprimir a greve dos bancários.

Isso posto, queremos debater soluções que garantam o direito constitucional de greve dos trabalhadores, pois essa repressão, além de ilegal, pode ocasionar violência. Além do mais, a função da polícia é trabalhar na segurança da cidadania, e não em defesa de interesses particulares, como é o caso dos bancos.

No aguardo de sua resposta, reiteramos as nossas

Cordiais Saudações

Carlos Cordeiro
Presidente

Ademir Wiederkehr
Secretário de Imprensa

Fonte: Contraf-CUT