O primeiro dia de greve dos bancários no Ceará teve grande adesão da categoria. Nesta quinta-feira, 24/9, várias agências fecharam suas portas, cartazes de "Estamos em Greve" foram pregados nas paredes das unidades e os dirigentes do Sindicato dos Bancários explicaram a situação para a população em falas incisivas.

No entanto, uma única agência destoou da manifestação e se negou a aderir ao movimento: o edifício-sede da Caixa Econômica Federal, no Centro de Fortaleza. Demonstrando a total truculência da direção do banco, cerca de 50 seguranças foram postos às portas da unidade e impediram o seu fechamento durante toda manhã.

Somente após o meio dia, os bancários conseguirem fechar as portas do edifício-sede, com apoio dos dirigentes da CUT, do Sindicato dos Bancários do Ceará, do Sindicato dos Vigilantes, e dos Sindicatos dos Correios e dos Metalúrgicos. Mas, durante toda a manhã, criou-se um grande impasse, com cobertura total da imprensa local.

Classificando como inconstitucional a atitude da Caixa, o diretor do Sindicato e empregado do banco, Marcos Saraiva, exigiu a retirada de todo o contingente de vigilantes contratado para reprimir a greve dos bancários. "Esse é um movimento ordeiro e pacífico. Os vigilantes estão indevida e desnecessariamente armados. Não temos intenção nenhuma de entrarmos em conflito", enfatizou Marcos.

O dirigente sindical fez questão de ressaltar que a postura da Caixa foi denunciada para a Polícia Federal, ao Secretário de Segurança do Governo do Estado, Roberto Monteiro, e a todas as autoridades responsáveis pelo cumprimento da legislação. "Em vez de nos tratar dessa forma, a direção da Caixa deveria encontrar propostas válidas para colocar na mesa de negociação", completou.

Na tentativa de fechar as portas do edifício-sede e fazer valer o direito de greve, os dirigentes do Sindicato dos Bancários, contando com o apoio de metalúrgicos e de outros vigilantes, foram agredidos pelos seguranças. "Eles deram tapas e chutes", revelou o presidente da entidade, Carlos Eduardo Bezerra, que teve a camisa rasgada de maneira absurda.

"Queremos cobrar responsabilidade por essa prática antisindical", acrescentou o presidente. Mesmo após um diálogo pacífico com o responsável pela segurança do prédio, a atitude do contingente permaneceu a mesma, o que foi rechaçado pela população presente no local.

"A Caixa não tem preocupação com a segurança durante o atendimento aos clientes, mas, durante a greve, eles fazem questão de colocar guardas para reprimir o movimento sindical. Essa é uma postura inaceitável", declarou o tesoureiro da CUT Ceará, Wil Pereira.

Para uma empregada do banco, que estava no local desde às 7h e pode conferir os seguranças se posicionarem, "essa é uma total falta de respeito da Caixa com o direito do trabalhador de se manifestar por melhorias salariais".

Fonte: Seeb Ceará