A realização de um almoço solidário, em frente à agência do Bradesco, na Praça José Bonifácio, no centro da cidade, por volta do meio-dia, marcou o primeiro dia de greve dos bancários de Piracicaba, nesta sexta-feira, que teve a adesão de mais de 80% da categoria. Sem nova proposta da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), os bancários realizam assembleia na segunda-feira, às 8h30, no salão de cristal do Clube Coronel Barbosa.

O almoço solidário, de acordo com o presidente do Sindicato dos Bancários de Piracicaba e Região, José Antonio Fernandes Paiva, em frente à agência do Bradesco, é uma demonstração clara que os bancários são solidários e só deflagraram greve em função da intransigência dos banqueiros, que só apresentaram uma contraproposta insuficiente depois de cinco rodadas e mais de 50 dias de negociação. "Escolhemos o Bradesco para fazer este gesto de solidariedade em função de o banco, na greve do ano passado, ter usado até polícia contra nós e transformado o nosso manifesto pacífico em uma praça de guerra, até com o uso de gás pimenta contra nós", disse Paiva, convidando a população a participar do almoço, que teve nos cardápio frango com polenta e banana de sobremesa. Quem participou do almoço aprovou a iniciativa do sindicato.

A representante comercial Inês Moreira, 30 anos, disse que estava na Praça, ouviu falar do almoço e não perdeu tempo. "Está muito gostoso e como é de graça não teve como não vir", disse.O metalúrgico desempregado, Marcelo Nunes da Silva, 27 anos, também aprovou o almoço. "Está muito legal. Não sabia aonde almoçar e como surgiu esta oportunidade estou aproveitando", falou.

Greve por tempo indeterminado – A decisão de deflagrar greve por tempo indeterminado foi tomada em assembleia da categoria, na noite da última quarta-feira, dia 23, em função de a Fenaban não querer pagar aumento real e reduzir a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), em relação ao ano passado, e o auxílio-creche de 83 para 71 meses. "Os banqueiros só propuseram 4,5% de reajuste, que mal repõe a inflação", diz Paiva. "Os principais bancos do País tiveram lucro superior a R$ 14,3 bilhões no primeiro semestre deste ano e não dá para aceitar esta contraproposta indecente", completa a vice-presidente do sindicato, Ângela Isabel Ulices Savian.

Os bancários têm data-base em primeiro de setembro e somam mais de 1900 na base do sindicato local e aproximadamente 450 mil em todo País. A categoria, além da reposição integral da inflação do período de primeiro de setembro do ano passado a 31 de agosto, também quer aumento real, PLR (Participação nos Lucros e Resultados) de três salários mais R$ 3.850,00; valorização dos pisos, assim como do auxílio-refeição cesta-alimentação, da 13ª cesta-alimentação, do auxílio-creche/babá e o fim das metas abusivas e do assédio moral, com garantia de emprego, mais segurança nas agências, auxílio-educação para todos e ampliação da licença-maternidade para seis meses.

Inclusão social – Nesta campanha salarial, em que os bancários estão mostrando solidariedade aos mais necessitados, na segunda-feira a proposta é de arrecadar itens de higiene pessoal, para ser doado ao Lar Betel. Já terça-feira, a proposta é a realização de uma campanha de doação de sangue, enquanto que na quarta-feira arrecadação de leite. "A nossa campanha também é pela inclusão social, mostrando aos banqueiros que os bancos precisam ter sua responsabilidade social", completa o presidente do sindicato.

Greve na região – Além de Piracicaba, a greve dos bancários também foi deflagrada nas cidades de Santa Bárbara d`Oeste, Saltinho e Rio das Pedras.

Fonte: Vanderlei Zampaulo – Seeb Piracicaba