BRIGHTON, Reino Unido – O ministro britânico das Finanças, Alistair Darling, justificou nesta segunda-feira sua decisão de votar uma lei para regulamentar as remunerações dos banqueiros pela necessidade de acabar com a "cultura da imprudência" que dá prioridade aos lucros a curto prazo.

"Deixem-me garantir ao país, e advertir aos bancos, que não haverá volta à mesma rotina de sempre para eles", declarou Darling no Congresso do Partido Trabalhista na localidade de Brighton, no sul da Inglaterra.

"Portanto, nas próximas semanas, introduziremos uma legislação para acabar com a cultura da imprudência que prioriza os lucros a curto prazo aos êxitos a longo prazo", acrescentou.

"O projeto de lei, que o governo tem intenção de apresentar ao Parlamento nas próximas semanas, significará o final dos prêmios automáticos para os banqueiros ano após ano", advertiu Darling.

"Os prêmios devem ser pagos em vários anos, para que possam ser recuperados se não forem justificados por um resultado a longo prazo", insistiu, "Não permitiremos que a cobiça e a imprudência ponham novamente em risco toda a economia mundial".

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, anunciou domingo esta legislação, apresentando-a como a mais severa do mundo. Permitirá à Autoridade dos Mercados Financeiros (FSA) sancionar os bancos que não respeitem as regras.

Darling anunciou por outro lado nesta segunda-feira que o governo britânico introduzirá uma nova lei sobre a responsabilidade fiscal para garantir a redução progressiva do déficit orçamentário, para assegurar que a dívida pública continue sendo viável a médio prazo.

O ministro anunciará suas intenções sobre a maneira de reduzir o déficit mantendo ao mesmo tempo os investimentos nos serviços públicos considerados prioritários (educação, saúde, etc) durante a apresentação de seu projeto de orçamento nas próximas semanas.

Fonte: Agência de notícias AFP