Crédito: Seeb PA/AP
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Dando continuidade à campanha salarial deste ano, as entidades sindicais – formadas pelo Sindicato dos Bancários do Pará e Amapá, Contraf/CUT, a FETEC-CN e a AFBEPA – reuniram-se com a direção do Banpará na segunda-feira, dia 5, às 15h, na matriz do Banco, na Avenida Presidente Vargas, em Belém.

Foi a segunda rodada de negociação e durou três horas. A diretora de administração do Banpará, Glicéria Melo, formalizou a intenção do Banco em seguir a mesa da Fenaban e iniciou o debate sobre a pauta específica, de interesse do funcionalismo no Banpará.

Cobrado pelas entidades sobre reajuste, PLR e PCS (as chamadas cláusulas econômicas), o banco ratificou que seguirá a mesa de negociação da Fenaban para então se posicionar de forma global.

Avaliação das entidades – Apesar de ainda não ter uma proposta econômica, a segunda rodada de negociação estabeleceu o debate como ponto de reflexão de ambas as partes, o que é um sinal inicialmente positivo. Agora, é avançar na proposta e chegar na próxima reunião com a pauta específica respondida e atendida. Enquanto isso, a categoria permanece em greve, mobilizada, para fortalecer as nossas reivindicações e possibilidades de conquistas.

Próxima reunião nesta sexta – Ficou agendada inicialmente para sexta-feira, dia 9, às 10 horas, a terceira rodada de negociação do Banpará. Entretanto, se antes dessa data houver resultado na mesa da Fenaban, as entidades solicitarão antecipação da reunião.

Participantes da reunião: Pelas entidades – Contraf: Rosalina Amorim; Sindicato: Alberto Cunha e Érica Fabíola: Afbepa: Kátia Furtado; FETEC: Sérgio Trindade e Vera Paoloni.

Denúncias e protesto das entidades

Na mesa, as entidades denunciaram que receberam informações de que há gerentes do banco ameaçando colegas grevistas com o corte de comissões e que tal atitude teria sido orientada em recente reunião havida com a direção da empresa, na Matriz.

A diretora de administração do Banpará disse desconhecer a existência de tal reunião; informou que não há orientação do banco para tal procedimento e que reconhece que a greve é pacífica e de espontânea vontade da categoria.

Não ao interdito – O Sindicato também protestou contra o interdito proibitório que o banco conseguiu na Justiça, por considerar que é um instrumento coercitivo e desnecessário, haja vista que a categoria aderiu de forma pacífica e solidária à greve e que em nenhum momento atentou contra o patrimônio do banco. No fechamento desta nota, a assessoria jurídica do Sindicato informou que derrubou, na Justiça, a liminar de interdito proibitório que o banco havia conseguido.

Vale-transporte – Outro ponto denunciado pelas entidades é que alguns colegas deixaram de receber o vale-transporte em retaliação por estarem na greve. O banco negou que isso tenha ocorrido.

Pontos novos propostos pelas entidades:Adoção imediata da licença-maternidade de 180 dias; horário de amamentação tal como reivindicado na pauta geral; e isonomia de tratamento aos homoafetivos. O banco acolheu as propostas e ficou de responder na próxima rodada, nesta sexta.

Confira a resposta do banco às reivindicações específicas, item a item:

Novo Plano de Saúde – O banco apresentou a proposta de redação da cláusula do novo plano de saúde e informou sobre os passos que está dando para ultimar o documento de licitação. Entidades cobraram que o banco apresente, na próxima reunião, a data do lançamento do edital de licitação para a nova operadora do plano de saúde.

Implantação do Ponto Eletrônico – O Banco se comprometeu a implantar o ponto eletrônico via sistema, em todas as suas unidades, na vigência do acordo. As entidades discordaram do prazo e reivindicaram que, na reunião de sexta, o banco mostre o protótipo do sistema de ponto eletrônico e aponte uma data próxima para o teste piloto em uma das agências.

Pagamento do Sobreaviso – O Banco concorda em manter o pagamento de 33% e não os 40% reivindicados. As entidades denunciaram então que muitos colegas das agências da capital têm ficado de sobreaviso sem a devida remuneração. O banco informou que desconhece essa situação e ficou de apresentar às entidades a listagem dos que trabalham no sobreaviso e recebem por esse serviço.

Quebra de Caixa para Tesoureiros e Coordenadores de PAB – O Banco concorda com a cláusula de pagar aos tesoureiros e aos coordenadores de PAB o mesmo valor pago aos caixas do banco, à título de quebra de caixa, proporcionalmente aos dias em que efetivamente assumirem o caixa e desde que a ausência efetiva do caixa justifique a atuação. Entidades denunciaram que em muitas agências esse procedimento para viabilizar o pagamento não vem ocorrendo e o banco ficou de averiguar e informar na próxima reunião.

Concorrência seletiva para cargos comissionados – O Banco informou que, em 2008 e 2009 tem feito concorrências para quase todos os cargos comissionados, à exceção de superintendentes e assessores. As entidades questionaram o banco sobre a falta de transparência no processo de informação aos não-classificados e a empresa acolheu a sugestão de informar a cada colega a razão da sua não-classificação e qual a pontuação obtida em cada quesito da concorrência. O banco ficou de reavaliar a situação.

Transparência no acesso ao auxilio educacional – O Banco se comprometeu em mesa a informar o volume de recursos existentes no PDEB, bem como divulgar a lista de espera dos solicitantes, em ordem de prioridade. Mas não aceitou incluir este ponto no acordo coletivo. Entidades insistiram na importância da cláusula.

Assaltos e seqüestros – O banco se compromete em dar assistência às vítimas de assaltos e seqüestros e seus familiares, emitir a CAT e, após intenso debate com as entidades, ficou de ponderar sobre a criação de uma regra geral para a restituição de valores subtraídos do funcionalismo durante assaltos e seqüestros.

Efetivar comissões – O Banco trará para a próxima reunião os dados sobre a efetivação das comissões e contesta que haja funcionários com mais de 90 dias na função sem a devida efetivação. Entidades responderam que existe a situação, que é grave e que o banco precisa regularizá-la.

Distribuição equilibrada e transparente das vagas de cursos da EGPA – O Banco informou que os cursos da Escola de Governo são distribuídos e informados para a todo o funcionalismo. Entidades contestaram que, embora haja a divulgação, o funcionário dificilmente participa, porque não é liberado para os cursos. O banco então ficou de fazer uma orientação aos gestores para que os funcionários de agência e Postos tenham condições de participar. O tema volta à mesa na próxima reunião.

Combate efetivo ao assedio moral – O Banco apresentou, por escrito, uma proposta de inclusão do tema nos programas dos cursos de gerenciamento de pessoal e relacionamento interpessoal. As entidades consideraram importante haver um programa, mas o consideraram insuficiente, enfatizando que há necessidade de dar combate efetivo ao assédio moral e isso com a participação das entidades e não apenas como um programa institucional do banco. Foi travado um bom debate sobre o tema e evoluiu para a recriação do Comitê Paritário de Relações Trabalhistas, que abrigará também as questões de assédio moral.

Comitê de relações trabalhistas – O banco apresentou, por escrito, a proposta de recriar o Comitê Paritário de Relações Trabalhistas que debaterá todo o mundo do trabalho, inclusive o combate ao assédio moral, mas as entidades não concordaram com a íntegra da redação, por considerá-la insuficiente e ficaram de apresentar outra redação na próxima reunião.

Revisão das comissões – O Banco informa que somente após a implantação do PCS. E o PCS fica fora do debate por estar em juízo.

Ampla defesa no comitê disciplinar – O Banco concorda em garantir o direito à ampla defesa no Comitê Disciplinar, inclusive o direito à manifestação oral, caso assim o queira. Desde que sem ônus para a empresa. O banco ficou de trazer para a próxima reunião a proposta de redação de mudança no regimento do Comitê para abrigar a nova reivindicação. As entidades concordaram.

Licença prêmio – O banco ouviu e irá analisar a reivindicação das entidades de que a licença-prêmio seja extensiva a todos os empregados que ainda não têm esse direito, a partir da assinatura do Acordo Coletivo e para gozo, como estímulo efetivo à qualidade de vida. Trará resposta na próxima reunião.

Turno ininterrupto – Hoje, na área de tecnologia, diversos colegas trabalham em sistema de rodízio. Ora de manhã, ora de tarde, ora de noite e ora de madrugada. Isso impede que possam programar suas vidas e esse sistema com certeza vai levá-los rapidamente a doenças. As entidades levaram o assunto à mesa, cobrando do banco que encontre uma solução para acabar com o rodízio. O banco ficou de responder na próxima negociação.

Isenção de tarifas e cobrança de juros menores – O banco concorda em isentar funcionários da ativa e aposentados do pagamento de quaisquer tarifas bancárias.

Eleição membro conselho de administração – O banco concorda em promover, no prazo de 90 dias, a eleição de 1 membro do Conselho de Administração, dentre os funcionários, com as regras sendo estabelecidas entre Sindicato e Banco/DIRAD.

Assembléia vota ato de repúdio

Em assembléia, logo após a rodada de negociação, o funcionalismo do Banpará reafirmou o fortalecimento e ampliação da greve e um ato de repúdio a alguns gestores do banco que estão reprimindo e tentando intimidar o movimento grevista. A esses gestores, o recado da assembléia é: não nos intimidarão e nem calarão a nossa voz! Juntos, somos mais fortes!

Fonte: Bancários PA/AP