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O senador Paulo Paim (PT-RS) ocupou na noite de terça-feira, dia 6, a tribuna do Senado e pediu que os bancos voltem a negociar com os representantes dos bancários em greve e lamentou que a Fenaban só queira conceder 4,5% de reajuste salarial. Ele leu trechos da carta enviada pelo presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, a todos os senadores e deputados, onde consta que os bancos tiveram um lucro de R$ 19,3 bilhões no primeiro semestre. Para o senador, nada justifica a posição dos banqueiros "de não oferecer um centavo a mais".

Paim informou que o movimento tem a adesão de bancários de todos os 26 estados e do Distrito Federal. Os trabalhadores reivindicam reajuste de 10% para repor a inflação passada e aumento real. Os bancários não aceitam a intenção dos bancos de reduzir a parcela de lucros distribuída aos funcionários.

"O salário mínimo vai ser corrigido em nove por cento, em janeiro. O bolsa-família ganhou dez por cento. A Empresa Brasileira de Correios concedeu nove por cento. Inúmeras categorias de trabalhadores têm conseguido reajustes em torno de dez por cento. Não existem motivos para os bancos insistirem nos quatro e meio por cento", disse o senador gaúcho.

"O entendimento, a negociação, o bom senso, é bom para todos, é bom para o povo brasileiro, que está com essa expectativa, é bom para os bancários e é bom para os banqueiros", concluiu o parlamentar.

O pronunciamento de Paim já virou notícia no site do Senado e ganhou o reconhecimento de todos os bancários, que são testemunhas da sua luta em defesa dos trabalhadores e dos aposentados no Congresso Nacional. "Agradecemos a manifestação contundente do senador e esperamos que as suas afirmações sirvam para sensibilizar os bancos a apresentar uma proposta decente que atenda as reivindicações dos bancários", afirma Carlos Cordeiro.

O vídeo do discurso será disponibilizado pela Contraf-CUT tão logo seja liberado pelo Senado.

Veja a íntegra do pronunciamento:

Sr. Presidente José Nery, agradeço a V. Exª. Já usei meu horário como orador inscrito, mas recebi hoje à tarde uma carta do Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, Sr. Carlos Cordeiro.

A carta do meu amigo Carlos Cordeiro faz uma reflexão a respeito da greve nacional dos bancários, que ocorre nos 26 Estados e também aqui no DF. Já são 13 dias de greve, Sr. Presidente.

Conforme relato da entidade sindical, o setor patronal oferece reajuste de 4,5% e nenhum centavo de aumento real. Além disso, querem reduzir a participação nos lucros e resultados e ainda pretendem diminuir o período do auxílio creche/babá de 83 para 71 meses. Os bancários não aceitam essa proposta e lembram que o setor lucrou R$ 19,3 bilhões no primeiro semestre deste ano.

Os bancários, no seu direito, Sr. Presidente, querem uma proposta decente, condizente com suas funções, com seus esforços, com seu trabalho. Querem que se apresente uma proposta que possa avançar na linha do entendimento.

Sr. Presidente, quero ainda lembrar que os bancários reivindicam o reajuste de 10%, isto é, a inflação e 5% de aumento real. Querem manter a participação nos lucros, a valorização dos pisos – que é natural -, a garantia do emprego diante dos processos de fusão dos bancos, e ainda contratações de trabalhadores para reduzir as filas e melhores condição de saúde, segurança e trabalho.

Para finalizar, Sr. Presidente, lembro que recentemente houve a greve dos carteiros e a Empresa de Correios e Telégrafos ofereceu 9% de reajuste. É praticamente o que estão pedindo os bancários. A diferença é 1% e já foi paga.
Para o salário mínimo, já está ajustado que, a partir de 1º de janeiro, teremos também um reajuste de 9%. Inúmeras categorias receberam, entre inflação e reajuste real, mais do que 10%.

Lembro também, Sr. Presidente, que a própria Bolsa Família recebeu um reajuste de 10%. Se esses setores podem dar a inflação mais o aumento real, que se aproxima daquilo que os bancários estão pedindo, não vejo motivo nenhum de não construirmos esse acordo.

Portanto – aí eu concluo, Sr. Presidente -, faço um apelo ao presidente da Fenaban, Sr. Fábio Barbosa, e aos presidentes de todos os bancos, especialmente o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Bradesco, o Itaú, o Unibanco, o Santander e o HSBC, a fim de que retomem imediatamente as negociações e apresentem uma proposta que, no meu entendimento, vai buscar o fim dessa greve que se aproxima já de duas semanas.

O entendimento, a negociação, o bom senso, Sr. Presidente, é bom para todos, é bom para o povo brasileiro, que está com essa expectativa, é bom para os bancários e é bom para os banqueiros.

Era isso o que tinha a dizer. Obrigado, Presidente.

(texto sem revisão do senador)

Fonte: Contraf-CUT com Senado