Apenas a receita arrecadada pelos bancos com a prestação de serviços, formada principalmente pelas tarifas cobradas dos clientes, cobre com folga as despesas com pagamento de pessoal – pelo menos na maioria deles. É o que mostra levantamento feito pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), com base nos demonstrativos financeiros fornecidos pelas instituições financeiras e pelo Banco Central referentes ao primeiro semestre de 2008 e de 2009.

Em alguns bancos, nem mesmo o auge da crise econômica, no começo deste ano, foi capaz de abalar essa matemática perversa. No caso do Santander, líder isolado na pesquisa, embora registrando variação negativa, as receitas auferidas entre janeiro e julho de 2009 cobrem em 151,95% a folha de pagamento, ante 195,28% verificados no mesmo período do ano passado.

O Bradesco vem na sequência, e praticamente manteve os ganhos com serviços: no primeiro semestre de 2008, pagava com essa receita o equivalente a 151,58% da folha; nos seis primeiros meses de 2009, o índice era de 151,54%.

Banco da Amazônia, BNB (Banco do Nordeste do Brasil) e Banestes (Banco do Estado do Espírito Santo) seguem esses bancos privados: o primeiro cobre a folha em 141,50%; o BNB em 130,16% e o Banestes, que obteve crescimento nesse quesito, em 109,46%.

O Banco do Brasil foi o único a registrar variação negativa expressiva entre os bancos analisados pelo Dieese, não conseguindo cobrir a folha de pagamento em 2009. Mesmo assim o número é alto. Houve queda de 119,44% para 96,35% na participação das receitas sobre os salários do funcionalismo do banco.

Também houve queda no HSBC, mas a empresa conseguiu cobrir as despesas de pessoal com a receita de tarifas – na primeira metade do ano de 2008 o índice foi de 126,78%, caindo para 108,90% no mesmo período de 2009. Ainda teve redução no Itaú Unibanco, que diminuiu de 136,23% para 119,58 na comparação dos dois semestres, mas segue cobrindo a folha de pagamento dos funcionários com essa arrecadação na conta dos clientes.

Entre os grandes bancos, a Caixa Econômica Federal é o único a não cobrir inteiramente as suas despesas de pessoal com essas receitas, apesar de ter registrado aumento de 90,65% para 92,24% de participação delas na folha dos empregados.

Tarifa de cadastro chega a R$ 80

Um estudo feito pelo portal Vida Econômica apontou que instituições financeiras em todo o país cobram uma média de 31 tarifas dos clientes. Considerando a análise feita pelo portal com 11 dessas instituições, o número de cobranças pode ser menor: de apenas 20, como é o caso do Banco do Nordeste, mas chega a 30 tarifas, a exemplo do Citibank.

A cobrança mais alta identificada foi em confecção de cadastro para início de relacionamento, de R$ 80 no Safra.

O levantamento foi realizado com o intuito de identificar quais mudanças ocorreram depois da aprovação e entrada em vigor em maio de 2008 da resolução 3.518, que regulamentou a cobrança de tarifas por parte das instituições financeiras.

Fonte: Seeb Brasília