A greve nacional dos bancários de 2009, que paralisou mais de 7,2 mil agências em todo o país, impediu a tentativa ardilosa dos banqueiros de implantar um modelo perverso de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) e se apropriar de cerca de R$ 1,209 bilhão que deixariam de ser distribuídos para a categoria.

Com a força da mobilização, os bancários fizeram com que os bancos recuassem e não somente evitaram essa perda, que sem luta seria inevitável, como também conseguiram melhorar a fórmula da PLR Adicional, conquistando o pagamento de aproximadamente R$ 433 milhões, o que significa uma conquista de cerca de R$ 1,642 bilhão nos bolsos dos bancários.

Os números foram apurados pela Subseção do Dieese da Contraf-CUT. A base de cálculo levou em conta o lucro líquido e a distribuição da PLR feita pelos seis maiores bancos do país (Banco do Brasil, Caixa, Bradesco, Itaú Unibanco, Santander e HSBC) em 2008, bem como a projeção dos resultados a partir dos balanços do primeiro semestre deste ano.

A manobra foi apresentada pelos banqueiros na primeira proposta ao Comando Nacional dos Bancários, no dia 17 de setembro, sob a aparência de um modelo mais simples de pagamento da PLR, uma das reivindicações da categoria. A fórmula previa uma regra básica de 1,5 salário até R$ 10 mil, limitado a 4% do lucro líquido do balanço de 2009, além de uma PLR Adicional de 1,5% do lucro líquido distribuída linearmente com teto de R$ 1.500 e desconto no programa próprio de renda variável do banco, onde houver.

O Dieese e a Contraf-CUT não caíram na armadilha da Fenaban e logo perceberam que o recurso total a ser distribuído seria de no máximo 5,5% do lucro líquido das empresas, uma brutal redução frente ao limite de até 15% previsto na regra vigente até 2008. A trama foi denunciada, no dia 22 de setembro, apontando que esse modelo traria uma perda de cerca de R$ 1,209 bilhão aos bancários.

Com a pressão da greve, uma das mais fortes dos últimos anos, os banqueiros tiveram que recuar da sua intenção e apresentaram nova proposta no dia 7 de outubro. A regra básica da PLR passa a ser de 90% do salário mais R$ 1.024, com teto de R$ 6.680. O valor pode ser majorado até que seja distribuído pelo menos 5% do lucro líquido, podendo chegar a 2,2 salários, com teto de R$ 14.696.

Além disso, pela nova proposta, os bancários receberão um novo Adicional de PLR de 2% do lucro líquido com teto de R$ 2.100, distribuídos de forma linear, sem depender do crescimento do lucro e sem desconto nos programas próprios de renda variável. Essa mudança representa um ganho de aproximadamente R$ 433 milhões em 2009, uma vez que a maioria dos bancários não receberia essa parcela se fosse mantida a regra anterior baseada na variação do crescimento do lucro.

O melhor é que a proposta alcançada com a greve mantém o limite de distribuição de até 15% do lucro líquido da PLR dos bancários e enterra a ameaça dos bancos de reduzir a renda dos trabalhadores. É mais uma conquista que entra na história de luta dos bancários do Brasil.

Fonte: Contraf-CUT