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O Banco do Estado de Sergipe (Banese) mostrou-se intransigente na audiência de mediação realizada ontem 19, pelo procurador do Ministério Público do Trabalho Ricardo das Mercês Carneiro, e afirmou que não tem interesse em assinar o acordo coletivo com o Sindicato dos Bancários de Sergipe. O Seeb/SE apresentou as propostas de negociação, mas o Banese não apresentou nenhuma contraproposta. Sinalizou apenas com um documento que não tem valor jurídico.

Durante a audiência, o procurador propôs várias situações para que a negociação pudesse avançar. "Como o banco quer acabar com o impasse sem apresentar nenhuma proposta e com um documento que não tem valor jurídico? O banco deve apresentar o que pode avançar, o que pode avançar parcialmente. Precisa apresentar alguma coisa de novo para o Sindicato apresentar na assembleia", ponderou o procurador, mas sem sucesso. "Meu desestímulo é que com a mediação a gente não andou em nada", completou.

A reunião durou cerca de duas horas de retranca, a diretora financeira Vera Lúcia de Oliveira sustentou uma posição de nada avançar e manteve-se irredutível dizendo ‘não’ para todas as propostas de reivindicações solicitadas pelo Sindicato. "A gente não acha interessante assinar a minuta específica", disse a diretora Vera Lúcia.

Para o Ministério Público do Trabalho ficou claro que o intransigente não é do Sindicato. Foi repetida a intransigência ocorrida no Tribunal Regional do Trabalho – TRT A assessora jurídica do Seeb/SE, Meirivone Ferreira de Aragão, citou o exemplo do que aconteceu com o Banpará, que recentemente firmou acordo coletivo com o Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários do Estado do Pará e Amapá.

"O Sindicato sempre esteve e permanece à disposição para negociar a minuta definida pelos trabalhadores e espera que o Banese compreenda o significado de uma negociação coletiva, instrumento determinado pela Constituição Federal para a resolução das questões entre trabalhadores e empregadores" afirmou José Souza, presidente do Sindicato dos Bancários.

"O Sindicato e os trabalhadores estão abertos à negociação. Portanto, todos os prejuízos causados à população em decorrência da greve são de origem da intransigência do Banese. Mas a greve não deve ser abalada porque o banco entrou com um pedido de dissídio", afirma Meirivone.

Além de Vera Lúcia, representaram o Banese os advogados Juvenal Francisco da Rocha Neto e Washington Nascimento de Souza do Banese. Do lado do Sindicato, além de José Souza e da advogada Meirivone Aragão, também participara o advogado Marcos d’Ávila Melo Fernandes e vários diretores funcionários do Banese.

"O Banco externou que a posição de no sentido de manter as atuais condições de trabalho, sem, entretanto, comprometer-se através da norma coletiva, que pretende apenas adotar os termos do acordo geral da categoria firmado junto à Federação Nacional dos Bancos – Fenaban", concluiu o procurador no termo de audiência.

"Saímos frustrados dessa audiência. Nós estamos numa negociação, apresentamos a pauta, mas não houve avanço por parte do Banese. Ficou clara a crise de comando que o Banese enfrenta. Nós estamos responsabilizando o banco pela continuidade da greve", afirmou Souza. Agora vamos aguardar a audiência de concilização da próxima quarta-feira, dia 21, às 9h30. Enquanto isso, a greve continua no Banese, na Caixa Econômica e no Banco do Nordeste.

Fonte: Edivânia Freire – Seeb/SE