A Contraf-CUT e entidades sindicais estiveram reunidas nesta quarta-feira, 10, com o Santander e com o HSBC, em São Paulo, para entregar cartas às direções dos dois bancos no Brasil e cobrar negociações para a assinatura de um Acordo Marco Global que garanta direitos básicos para os funcionários em todos os países em que essas empresas atuam.

A atividade fez parte da Jornada Internacional de Luta realizada pelos bancários do Santander e do HSBC em nível mundial, e que agora terá o lançamento de uma campanha da UNI-Sindicato Global por esse acordo nos dias 17 a 19 de março, na capital paulista.

Da delegação da Contraf-CUT também farão parte os membros das Comissões de Organização dos Empregados (COEs) do Santander e HSBC. As federações terão até o dia 22 de fevereiro para confirmar a participação de seus representantes. No dia 19, a reunião será específica do grupo diretivo da UNI Américas Finanças, mas estará aberta à participação como ouvientes dos representantes das COEs.

Santander

A Contraf-CUT, entidades sindicais e Afubesp entregaram carta ao presidente do Santander Brasil, Fábio Barbosa. O documento foi recebido pelo superintendente de Relações Sindicais, Jerônimo dos Anjos (foto).

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Os dirigentes sindicais enfatizaram a importância do banco no Brasil apoiar a abertura de negociações sobre o Acordo Marco Global entre a UNI Finanças, o sindicato global dos trabalhadores do ramo financeiro, e a direção mundial do grupo espanhol. Jerônimo disse que "a direção do Santander no Brasil não se opõe a construir um Acordo Marco Global".

"O Santander Brasil é um dos maiores bancos brasileiros e tem participação fundamental na estratégia mundial do grupo espanhol. Uma empresa desse porte tem condições e o dever de ser grande também nas relações sindicais e trabalhistas", ressalta a carta. "Acreditamos que a direção do Santander no Brasil tem amplas condições de nos ajudar a construir esse acordo junto à direção mundial do grupo", prossegue a carta.

"Esse acordo é importante para garantir princípios fundamentais em todos os países onde o Santander atua, como o direito à sindicalização, o direito à negociação coletiva e o direito à organização sindical, sem retaliações, repressão e discriminações. Também queremos firmar compromissos, buscando o respeito à legislação de cada país, o diálogo social permanente em todos os níveis e o combate às práticas antissindicais e à precarização do trabalho", destaca Ademir Wiederkehr, secretário de imprensa da Contraf-CUT.

Para Rita Berlofa, diretora do Sindicato dos Bancários de São Paulo e que também coordena a Rede Sindical dos Trabalhadores do Santander na América pela UNI Sindicato Global e pela Coordenadora das Centrais Sindicais do Cone Sul, "esse acordo o banco poderá fortalecer as relações laborais em todos os países em que o banco estiver, assegurando um diálogo estruturado em todos os níveis com os sindicatos e ajudando a prevenir e solucionar problemas rapidamente".

HSBC

Os representantes do movimento sindical entregaram também carta endereçada ao presidente do HSBC, Conrado Engel, solicitando a abertura de negociações para o estabelecimento de um acordo marco. O documento foi recebido por Antonio Carlos Schwertner, representante da área de relações sindicais do banco.

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Na correspondência, os bancários destacam que o HSBC se esforça para "alcançar uma identidade comum e integração cada vez maior de suas operações em nível mundial.Isto também requer um acordo marco global para as relações profissionais envolvendo os sindicatos".

"A criação de um acordo marco seria um passo importante para garantir direitos iguais para tdos os trabalhadores do banco inglês no mundo. Não é justo que trabalhadores de fora da Inglaterra recebam salários e direitos menores do que os britânicos se todos contribuem para os ganhos da empresa", defende Sérgio Siqueira, diretor da Contraf-CUT e funcionário do HSBC.

"O HSBC lidera no Brasil o ranking de reclamações do Banco Central nos últimos dois anos e isso se deve, principalmente, à falta de funcionários. Com o Acordo Marco Global, o banco poderia colocar em prática seu discurso de responsabilidade social e garantir as condições de trabalho que seus funcionários precisam aqui no Brasil e em qualquer país do mundo", comenta o diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo Paulo Rogério Alves.

Negociação – Os bancários do HSBC solicitaram ainda ao banco inglês o agendamento de uma reunião para a discussão de alguns problemas que têm afetado os trabalhadores. Entre os temas a serem tratados no encontro, estão previdência, falta de funcionários e outras questões. "O banco precisa valorizar seus trabalhadores, que hoje não sentem satisfação de trabalhar no HSBC. Muitos acabam saindo, até porque recebemos um dos piores salários do mercado. Vamos insistir esse ano pela valorização dos bancários", diz Sérgio Siqueira.

Licença-maternidade – O HSBC informou à Contraf-CUT que deverá aderir ao Programa Empresa Cidadã até o final dessa semana, garantindo a suas funcionárias a ampliação da licença-maternidade para 180 dias.

Fonte: Contraf-CUT, com Seeb SP