Depois de mais de dez anos de discussões, alguns dos principais bancos brasileiros decidiram, finalmente, compartilhar a rede de caixas eletrônicos existente no país. O anúncio do que os bancos chamam de ""estudos preliminares" será feito nesta quinta-feira, dia 11, em São Paulo.

No primeiro momento, participarão do compartilhamento das redes eletrônicas o Banco do Brasil, o Bradesco e o Santander. Inicialmente, serão partilhados os caixas que estão fora das agências.

Entre as grandes instituições financeiras, só ficou fora o Itaú Unibanco, o maior banco privado brasileiro e que, segundo fontes do mercado, era o que mais resistia à proposta.
O Bradesco tem 30.657 terminais de autoatendimento. Já o Santander tem cerca de 7.600, e o Banco Real (comprado pelo Santander), 11 mil. O Banco do Brasil tem 40 mil caixas eletrônicos.

Além das redes próprias, vários bancos contam com a rede Banco 24 Horas, que atende Caixa Econômica Federal, Banco do Nordeste, Bradesco e Banco do Brasil, entre outras instituições, e possui mais 6.700 terminais eletrônicos.

O Brasil é um dos poucos países em que os caixas eletrônicos não são universais. Isso porque os bancos viam na abrangência da rede eletrônica de atendimento um ativo importante para se diferenciar das instituições de menor porte e alcance geográfico.

As discussões evoluíram bastante nos últimos meses com a iniciativa do governo de apertar a regulação junto às empresas de cartões de crédito, cujo mercado é ainda dominado por Cielo (antiga VisaNet) e Redecard, empresas que tinham exclusividade, respectivamente, das bandeiras Visa e MasterCard.

A exclusividade da MasterCard com a Redecard terminou no ano passado e a da Cielo com a Visa acabará neste ano.

American Express

O Bradesco, que comprou as operações da American Express no Brasil em 2006, também está disposto a liberar a bandeira para uso dos concorrentes. À época, o então maior banco privado brasileiro comprou a Amex para aumentar sua presença no segmento de alta renda, que era o foco da bandeira americana.

Com a pressão do governo junto às empresas de cartão, o mercado tenta agora se reorganizar para sobreviver em meio à crescente desregulamentação e dos contratos de exclusividade. O setor de cartões de crédito era um dos que trabalhavam com as maiores margens de ganho do país.

Os bancos discutem também o compartilhamento total das máquinas dos lojistas que fazem a "captura" das operações por meio de cartões de crédito e débito.

Entre as instituições financeiras, Santander e Banco do Brasil são as mais interessadas no compartilhamento geral das infraestruturas de rede. O argumento é que a competição não se dá mais na operação e na tecnologia, que se tornaram "commodities", mas no serviço prestado ao cliente.

Fonte: Folha de S.Paulo / Toni Schiarretta