Na hora de negociar salário e PLR com os bancários, os banqueiros choram, fecham a mão e endurecem o cerco. O Bradesco, por exemplo, não oferece sequer auxílio-educação aos seus funcionários. Mas, na hora de remunerar seus executivos, os bancos gastam uma fortuna. No Bradesco, R$ 250,4 milhões foram rateados entre 150 profissionais. Ou seja, cada um ganhou em média cerca de R$ 1,7 milhão.

"É muito dinheiro. Tanto que governos do mundo inteiro e o Banco Central (BC) estão querendo limitar os bônus pagos pelos bancos aos executivos. No Brasil, os bancos são avarentos para negociar com os bancários, mas são benevolentes com o alto escalão", critica o diretor do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Vinicius de Assumpção.

No Itaú Unibanco os executivos receberão, ao todo, uma bolada total de R$ 272,7 milhões. "O pior é que o banco sequer divulgou quantos privilegiados receberão toda essa grana. É um absurdo meia dúzia de tecnocratas receber tanto dinheiro e os bancários, que são os que constroem o lucro e a riqueza das empresas, ficarem a ver navios", ressalta a diretora do Sindicato, Vera Luiza.

Controle social

O BC quer regulamentar os salários dos executivos dos bancos brasileiros e promete anunciar oficialmente a proposta, em audiência pública, num prazo de noventa dias. A limitação dos ganhos dos executivos do sistema financeiro foi um acordo dos líderes do G-20, o grupo dos países mais desenvolvidos do mundo.

"É a matriz do capitalismo quem está dizendo que é preciso acabar com a farra dos executivos dos bancos. Por isso, defendemos o controle social do sistema financeiro", afirma o presidente do Sindicato, Almir Aguiar.

Fonte: Seeb Rio