O Banco Mercantil do Brasil (MB), único de varejo com sede em Minas Gerais, anunciou na quarta-feira (10) um lucro de R$ 40 milhões em 2009, ou R$ 3 milhões a menos do obtido em 2008. Afetado pela crise econômica global que levou a uma queda do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro estimada de 4% a 5% pelo governo do Estado, o Mercantil realizou no mês passado um aumento de capital de R$ 45 milhões, para se ajustar aos padrões do acordo de Basileia.

A integralização, que foi contestada por acionistas minoritários do banco que temem a diluição do capital, deve ser concluída nos próximos dias , segundo a instituição.

Um dos acionistas do Banco Mercantil do Brasil, Sergio Araújo, que detém 5% do capital, decidiu contestar judicialmente a operação, assim que foi anunciada, em 14 de dezembro. Na ocasião, o banco divulgou uma nota alegando que os acionistas tiveram acesso às informações em relação ao preço arbitrado por ação, de R$ 8.

O Mercantil do Brasil projeta um crescimento de 18% em ativos em 2010, entre outros fatores em razão do ingresso como clientes de aposentados e pensionistas do INSS. Em agosto, o banco venceu a concorrência para administrar o recebimento do primeiro benefício das novas contas em São Paulo e Minas Gerais até 2014.

A instituição estima o atendimento anual de 200 mil clientes, a partir de 2010, o equivalente a um terço da sua base de correntistas. Ainda para este ano, a instituição conta com um crédito de R$ 184 milhões em relação a uma cobrança de Cofins que o banco considerou indevida. A ação transitou em julgado no Supremo Tribunal Federal em 2005 e o banco estima receber o ressarcimento este ano.

No ano passado, o banco elevou de R$ 6,8 bilhões para R$ 7,9 bilhões os seus ativos totais, um crescimento de 16%. As operações de crédito passaram de R$ 4,9 bilhões para R$ 6,1 bilhões e o total de depósitos a prazo, que havia crescido 11% em 2008, aumentou 33% em 2009, passando de R$ 2,7 bilhões para R$ 3,6 bilhões. O resultado de 2008 em depósitos a prazo foi afetado pela retirada de investidores de pessoa jurídica, cujo total depositado caiu 17% nos últimos meses do ano, ou cerca de R$ 400 milhões.

Fonte: Valor Econômico /  Cesar Felício, de Belo Horizonte